Quase um mês depois de iniciado o semestre letivo nas universidades particulares do Distrito Federal, alguns alunos aprovados no vestibular ainda não puderam frequentar as aulas. No ano passado, uma parceria entre o Centro de Integração de Adolescentes Granja das Oliveiras (Ciago), a Secretaria de Justiça (Sejus), a Universidade Católica de Brasília (UCB) e a Universidade do Distrito Federal (UDF), garantiu que 17 internos do Ciago pudessem prestar concurso para o vestibular. Se aprovados, teriam chance de pleitear bolsas integrais de estudo. Mas a situação até hoje continua indefenida.
Dos 17 internos, dez rapazes foram aprovados para os cursos de Ciência da Computação, Educação Física, Direito e Enfermagem, mas nenhum deles pôde começar a frequentar as aulas porque as bolsas ainda não saíram. A situação é controversa. Mães garantem que seus filhos não foram sequer matriculados e que as bolsas estariam garantidas.
Aldaiza dos Santos Silva, coordenadora da Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (AMAR) e mãe de um dos rapazes, conta que ela e o filho já estavam fazendo planos para a nova vida. “Como ele está em liberdade preventiva, ia poder estudar de manhã e fazer um curso ou procurar um estágio à tarde”. Segundo Aldaiza, muito antes do início das aulas, as mães entraram em contato com o Ciago que, por sua vez, dizia que o processo para obtenção de bolsas já estava encaminhado. “A Católica afirmou que as verbas já tinham sido alocadas, e não tinha mais jeito de oferecer as bolsas aos meninos”, afirma Aldaiza.
O assunto fica ainda mais complicado quando chega à Secretaria de Justiça, órgão ao qual o Ciago é vinculado. Segundo a Assessoria de Comunicação da Sejus, nunca houve qualquer acordo ou parceria que garantisse bolsas universitárias aos internos. Mas a Sejus afirma que houve, sim, uma ação conjunta, em novembro do ano passado, para que os rapazes pudessem ser liberados para fazer a prova do vestibular, em uma sala separada dos demais concorrentes e com a máxima discrição.
No entanto, a Secretaria aponta um possível motivo para o impasse: os rapazes concorreram às bolsas junto com todos os outros pedidos de isensão de mensalidade universitária do DF. Outro ponto controverso é que, ao contrário das mães, a Sejus afirma que os rapazes foram, sim, matriculados nas universidades.
O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente entrou no caso para tentar ajudar a resolver a incerta situação dos jovens. De acordo com Vitor Alencar, advogado do Cedeca, os 10 adolescentes do Ciago não poderiam ter entrado na mesma fila de todos os outros adolescentes do DF. “Esses meninos estão em condições peculiares, e precisam ser tratados também com condições diferentes”, afirma.
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