Bruna Sensêve
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Afalta de manutenção das edificações no Distrito Federal tem ocasionado um número grande de interdições e notificações pela Defesa Civil. Antes mesmo do fim da temporada de chuvas, período em que as construções ficam ainda mais vulneráveis, a quantidade de locais interditados chega a 33. O número é 30% maior que o registrado no período chuvoso anterior. Só no Núcleo Bandeirante, oito famílias foram removidas de cinco prédios nos dois últimos dias.
Graciela de Souza Fogaça, 28 anos, ouviu quando um dos muros de arrimo do prédio vizinho caiu. A parede de concreto era responsável pela contenção da terra e dava estrutura à edificação do fundos da loja. Com o deslizamento, os prédios ao redor também ficaram comprometidos.
A primeira ação da Defesa Civil ocorreu na sexta-feira passada. Quatro edificações foram interditadas poucos minutos após a ocorrência. Com isso, ficaram desabrigadas quatro famílias. “Minha cunhada saiu na hora e só pôde voltar com a Defesa Civil para pegar documentos e o uniforme da escola. Estamos muito assustados, mas acima de qualquer coisa está a nossa vida”, disse.
Ela também foi retirada na manhã de ontem com a filha e o marido, e ainda não tem local definido para moradia. O vizinho da família Manoel Ribeiro, 64 anos, conta que um pequeno buraco, já verificado anteriormente, aos poucos transformou-se na cratera que levou ao deslizamento. “Eles sabiam que tinha um buraco, mas não fizeram nada. Agora, todo mundo tem que sair de casa”, lembra.
Falta de hábito
A sala onde mora o aposentado revela a falta de manutenção e prevenção aos acidentes. Duas paredes já estão comprometidas devido às infiltrações. Ao visitar o restante do local é fácil encontrar ainda maiores sinais de abandono.
Manoel afirma que, ao receber o termo de interdição da Defesa Civil, procurou o proprietário do imóvel, que teria dito que o problema é da Defesa Civil e não dele. Ainda assim, muitos moradores que foram removidos relatam que havia a intenção do proprietário de acrescentar mais outro pavimento ao prédio.
“Temos o problema da baixa técnica construtiva e ainda a falta de hábito da prevenção. Os prédios são construídos e praticamente ninguém faz manutenção. É uma cultura brasileira. Achamos que vai durar para sempre. Mas é preciso ter diversos cuidados, como com qualquer outro bem”, alerta o secretário da Defesa Civil do Distrito Federal, Paulo Matos. No início das chuvas foi realizada uma campanha de prevenção de acidentes, indicando a necessidade da limpeza de calhas e verificação de infiltrações, entre outros itens. “Porém, podemos ver que praticamente todas as notificações e interdições que fizemos no período chuvoso têm essa origem”, esclarece o secretário.
A prevenção e a manutenção são determinantes para evitar acidentes ou mesmo tragédias. O perigo foge das áreas de risco para moradia já conhecidas pelo brasiliense e pode atingir qualquer residência. A Defesa Civil também alerta que é essencial buscar um profissional qualificado na hora de fazer alterações, reformas ou mesmo construir um imóvel.