No dia em que a ditadura militar completaria 45 anos, store a Universidade de Brasília deu uma lição de liberdade. Cerca de 1.300 pessoas enfrentaram sol e chuva no Teatro de Arena para celebrar o inconformismo e assistir à aula inaugural do primeiro semestre de 2009.
Os dois convidados, o rapper brasiliense Gog e o teólogo Leonardo Boff, entraram no espírito da Aula da Inquietação, tema escolhido para o debate. “A inquietação é a mãe da criatividade”, celebrou o ex-religioso, expulso da Igreja por ordem do Vaticano. “Perdi muitas lutas, mas não perdi a esperança”.
Gog incitou os 1.300 universitários presentes a ultrapassar os muros da academia e levar o conhecimento às periferias. “Valor é diferente de preço. Tenham valor. Não tenham preço”, disse.
PARTICIPAÇÃO – Nem a chuva desanimou o espírito inquieto e utópico dos alunos, que também levaram ao microfone discursos sobre exclusão, sustentabilidade e liberdade de expressão. Após as apresentações de Gog e Boff, os universitários discutiram e questionaram os aspectos levantados. “Eu espero que a inquietação individual se transforme numa inquietação coletiva e que, de fato, gere transformação e mudanças para a universidade”, diz a aluna do 2° semestre de Ciências Sociais, Luiza Oliveira, 19 anos.
Cartazes e faixas ocuparam o gramado do Teatro de Arena com mensagens de protesto à destruição ambiental e a favor de uma gestão participativa. Os alunos aproveitaram o encontro para levar à administração da universidade reivindicações, como a exclusão dos grupos minoritários na instituição. “Este é um espaço do protesto. Eu saúdo os estudantes que estão aqui exercendo o seu direito”, disse o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Jr.
Todos tiveram oportunidade de se expressar. Foram três horas de debate público, quando alunos, professores, reitor e convidados ocuparam o mesmo espaço para questionar e refletir sobre a proximidade da academia com os grupos marginalizados da comunidade.
A atividade durou três horas e contou, ainda, com a participação do grupo feminino de break dance BsB Girls. “É interessante para a gente mostrar o nosso trabalho, que é a mulher no hip hop. Muita gente não conhece o estilo”, diz Sandra Kelly Silva, que há 4 anos integra o grupo de dança.
Ao final do encontro, alunos que defenderam a importância de um espaço limpo e sem lixo na universidade recolheram os papéis e copos de plástico espalhados pelo Teatro de Arena. “A inquietação nos faz pensar, nos faz formular. Ela faz a gente olhar para onde nós estamos e para onde estamos indo”, ressaltou a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes da Cunha. “Essa aula representa a proposta de ouvir a comunidade, o coletivo. Saio daqui hoje com a alma lavada”, completou.