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Brasília

Audiência pública sobre travessias do Eixão teve nova etapa

Sessão discutiu soluções para travessias inseguras no Eixão; GDF terá 30 dias para apresentar plano de ação

Daniel Xavier

28/07/2025 21h54

travessias inseguras no eixão josé cruz agência brasil

José Cruz/Agência Brasília

Na tarde desta segunda-feira (28), o debate sobre as travessias no Eixão, uma das principais vias expressas do Distrito Federal, ganhou um novo capítulo. Em audiência pública promovida pela Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, representantes do poder público, do Ministério Público e da sociedade civil discutiram soluções para um problema que afeta diretamente a mobilidade e a segurança de milhares de pessoas que circulam diariamente entre as asas Sul e Norte de Brasília.

O foco do debate foi a falta de segurança nas passagens subterrâneas. Hoje, elas estão mal iluminadas, mal cuidadas e quase sem movimento. O que deveria proteger, acaba assustando. Diante disso, muitos pedestres optam por uma alternativa ainda mais perigosa: enfrentar, correndo, as sete faixas do eixão em meio ao tráfego intenso. O resultado são mais atropelamentos — alguns, infelizmente, fatais.

eixão foto andre borges agência brasília
André Borges/Agência Brasília

Desde 2024, a Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) vem cobrando providências do Governo do Distrito Federal. A ação judicial movida pela promotoria responsabiliza, além do GDF, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e outros órgãos por manterem uma lógica urbana centrada nos carros, deixando pedestres e ciclistas em segundo plano. A crítica é bem direta. Brasília tem priorizado a fluidez dos veículos em detrimento da vida.

passagens subterrâneas asa norte foto renato alves agência brasília
Renato Alves/Agência Brasília

Durante a audiência, o comandante do Comando de Policiamento de Trânsito da Policia Militar do DF, coronel Edvã Sousa, trouxe uma visão baseada na vivência de quem lida diariamente com os impactos da imprudência e da falta de estrutura. Ao mesmo tempo em que se mostrou aberto ao debate, o coronel ponderou que a simples redução da velocidade de 80 km/h para 60 km/h pode não ser a solução ideal.

“O receio da diminuição dessa velocidade se dá muitas vezes pelo incentivo às pessoas atravessarem fora das passagens. Não estou dizendo que a velocidade cria uma barreira. Mas é preciso trabalhar na melhor forma dessas pessoas fazerem a travessia com segurança”, afirmou o coronel, destacando que muitos acidentes ocorrem justamente quando trabalhadores tentam atravessar a via no início ou no fim do dia, fora das passagens subterrâneas.

as passagens subterrâneas do eixão são pouco procuradas por quem atravessa a via foto renato alves agência brasília
Renato Alves/Agência Brasília

O comandante também relembrou o sucesso da campanha da faixa de pedestres, nos anos 1990, como exemplo de que Brasília pode, mais uma vez, liderar uma mudança cultural no trânsito. “Na época, ninguém acreditava. Houve resistência, acidentes, mas persistimos. Hoje, temos um patrimônio cultural exportado para o Brasil inteiro”, disse, referindo-se ao hábito, quase exclusivo da capital, de motoristas pararem espontaneamente para pedestres.

Dados recentes do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF) reforçam a urgência de mudanças estruturais. Segundo levantamento citado pelo próprio coronel Edvã, 64% dos usuários das passagens subterrâneas relatam sensação de insegurança ou já presenciaram situações perigosas nesses espaços. Em contraste, 95% das pessoas que utilizam as passagens subterrâneas das estações de metrô se sentem protegidas.

travessias inseguras no eixão créditos daniel xavier jornal de brasília
Daniel Xavier/Jornal de Brasília

Além da Polícia Militar, o procurador do Distrito Federal, Daniel Augusto Mesquita, também reconheceu que o problema exige uma ação conjunta e imediata entre os diversos órgãos públicos envolvidos. “Existe realmente uma vontade do Distrito Federal de promover a melhoria dessas passagens, mas precisamos alinhar os esforços entre todas as partes para apresentar um plano de ação com fases e prazos bem definidos”, afirmou o procurador.

A proposta feita pelo TJDFT e acatada pelo Ministério Público é que, nos próximos 30 dias, sejam realizadas reuniões técnicas entre os órgãos envolvidos visando elaborar um cronograma detalhado de ações. A próxima audiência será uma sessão de mediação técnica, fechada ao público, com previsão para ocorrer em agosto.

passagem da 102 norte foto tony oliveiraagência brasília
Tony Oliveira/Agência Brasília

Maria de Lourdes, 40 anos, moradora de Taguatinga, trabalha na asa norte e diz ao Jornal de Brasília que não se arrisca para atravessar em passagens subterrâneas. “Tenho muito medo, outro dia quase fui roubada. Essas passagens estão sem luzes e imundas. Então só cabe eu me arriscar atravessando as vias.”, desabafa.

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