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Brasília

Atropelador fica solto, família sem a casa e vizinhança cobra ação do Estado

Arquivo Geral

20/10/2017 7h00

Foto: John Stan

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A família de Gheanny Karolyne Sousa dos Santos, 4 anos, morta atropelada dentro da sala de casa, não pode habitar a própria residência desde o dia do acidente, na segunda-feira (16). Destruída, a edificação no Itapoã foi interditada pela Defesa Civil pelo risco de desabamento. Mas, mesmo que o local estivesse intacto, os pais não suportam retornar ao espaço onde a filha perdeu a vida. O autor do atropelamento, por sua vez, sequer foi preso: apenas prestou depoimento e segue em liberdade.

Revoltados com a situação, vizinhos tentam se mobilizar para cobrar a punição do jovem que dirigia. Um protesto está previsto para as 16h de sábado. A dona de casa Michele Aladina da Silva, 31 anos, questiona a atuação das autoridades: “Cadê os direitos humanos? Por que não vieram dar assistência psicológica para os pais que perderam uma filha? Cadê alguém do governo vindo ajudar a levantar fundos para eles reerguerem a casa? Eu sei que a vida não volta mais, mas e os bens que perderam?”.

Michele aponta ainda que a família do motorista também não prestou ajuda. “Quem deveria pagar por todos os estragos é quem fez. A mãe dele (condutor) ficou preocupada só com o carro dela”, critica. A reportagem não conseguiu contato com o suspeito.

Segundo o delegado Fábio Pereira, responsável pelo caso, Hegon Henrique Brito Xavier, 24 anos, só foi levado à delegacia para depor. “O bafômetro não deu alteração. Ele só vai responder ao crime se a culpa for comprovada”, alega. O carro já foi liberado da perícia e está com a família de Hegon.
As investigações, segundo o delegado, ainda estão correndo. “Estamos ouvindo testemunhas. Pedimos laudos da perícia e vamos analisar se ele é responsável ou não”.

Momentos de terror

A agente de saúde Sabrina Souza Mota Arrais, 34 anos, mora ao lado da casa de Gheanny. Ela conta que, no momento que saía para trabalhar, ouviu um barulho e foi logo ver o que era. “Vimos o carro dentro da casa. Aí entramos e vimos a destruição toda”, afirma.

“Todo mundo ficou desesperado porque moravam quatro crianças e a gente não sabia se estavam todas em casa. A mãe ficou presa na última parede. Ela gritou ‘minha filha’, aí começamos a levantar as paredes que estavam caídas, as coisas do chão, para ver se encontraríamos alguma criança. Quando olhamos debaixo do carro, vimos uma delas e chamamos mais pessoas para levantar o carro”, completa.

Sabrina relata que os momentos seguintes pareciam um filme de terror. “O pai dela estava um pouco machucado, mas conseguiu pegá- la. Ela não estava viva, estava toda quebradinha. Foi uma cena muito forte”, relembra.

Depois, a agente de saúde e moradores continuaram a procurar mais crianças. “Até a mãe se recompor e conseguir falar que as outras estavam na escola, demorou”, alega. A vizinha afirma que o rapaz tentou fugir do local do crime, mas populares o prenderam dentro de um quarto. “Ele estava completamente drogado. O pessoal que puxou o carro para tirar a mãe que estava presa entre os escombros disse que viu o velocímetro marcando 140 km/h. Não posso confirmar, mas estava muito rápido”, conta.

Os pais de Gheanny, Paula Maria Ferreira de Souza e Ildebrando Ferreira dos Santos, estão muito abalados e ainda se recuperam dos ferimentos.

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