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Brasília

Atos no CEM 1 de Sobradinho são investigados. Comunidade defende direção

Arquivo Geral

16/06/2016 10h22

Foto: Renato de Oliveira

Douver Barros
douver.barros@jornaldebrasilia.com.br
O diretor e a vice-diretora do Centro de Ensino Médio (CEM) 1 de Sobradinho, o Ginásio, estão suspensos dos cargos por 30 dias por suspeitas de irregularidades na condução da escola. O CEM 1 é conhecido pelos bons resultados em processos seletivos, e a decisão da Secretaria de Educação desagradou a comunidade escolar. No ano passado, o colégio aprovou 64 alunos na UnB por meio do Programa de Avaliação Seriada (PAS).

Entre as acusações estão a realização de um evento de mulheres ligadas ao Partido dos Trabalhadores, no interior da escola, em agosto passado, a instalação de um alambrado, e critérios de avaliação dos alunos. Na área também funcionam uma agência do BRB, o Centro de Educação Infantil 4 e a biblioteca pública da cidade.

O diretor afastado, Ari Luiz Alves Pae, alega ser alvo de perseguição política “com uma boa dose de vingança pessoal”. “Independentemente da minha posição partidária, o que interessa é o projeto pedagógico, e ele está sendo ferido”, acusa. “Assim que a Regional de Ensino informou os professores sobre o ocorrido, eles disseram que se sentiam punidos também, pois todas as nossas medidas são tomadas democraticamente”, completa.

De acordo com o diretor, o auditório escolar é frequentemente ocupado por eventos de interesse da comunidade. O espaço é cedido por meio de agendamento realizado em um setor sem vínculo direto com a direção. “Houve sim esse encontro de mulheres, assim como ocorreu em outras escolas do DF. A diferença é que apenas eu estou sofrendo esse processo”, argumenta.

Em relação ao alambrado, Pae alega que a intenção é gerar segurança e coibir o tráfico, frequente na região. A cerca está instalada entre a escola e a biblioteca, onde há um estacionamento. Segundo Alexandre Galdino, assessor jurídico da Regional de Ensino de Sobradinho, críticas recebidas motivaram a abertura do processo administrativo disciplinar. “Nós tentamos dialogar com a direção”, sustenta.

Por enquanto, os supervisores Rafael Urzedo e José Moura assumem o cargo. Urzedo lamenta o desgaste e afirma que a “escola está sendo processada por ser organizada”. Ele garante que “todas as demandas passam pela decisão da comunidade e do corpo docente”.

Alunos pedem para ser ouvidos

Os alunos criticam o afastamento dos diretores e reclamam da falta de informação sobre o assunto. “Parece que só ouvem o outro lado. Fizemos um protesto na sexta-feira passada”, explica a estudante do 3º ano Bruna Rodrigues.

A professora de Biologia Alessandra Tomé defende que a escola é organizada e limpa como poucas. “Aqui é tudo organizado. Aluno nenhum mata aula, principalmente depois da instalação do alambrado”, diz. “Nosso nível é tão diferenciado que há casos de jovens que pedem aos pais para deixarem a escola particular e matricularem-se aqui”.

Outro ponto sob investigação é o fato de o aluno iniciar o ano letivo com a garantia de dois pontos na nota. No entanto, a quantidade cai a cada infração cometida. São observadas tarefas, disciplina e frequência. A iniciativa, segundo o coordenador pedagógico da escola, Edivan Vieira, estimula o aluno a dedicar- se para manter a pontuação. Segundo ele, o projeto rende resultados positivos. Mas, para a Regional de Ensino, o aluno não pode ser penalizado por falta.

Versão oficial

Por meio de nota, a Secretaria de Educação informou que constatou as irregularidades no ambiente escolar, as quais serão discutidas após o cumprimento da suspensão, com o objetivo de sanar as pendências. A pasta destaca que o alambrado “foi erguido sem autorização e impede o acesso da comunidade por meio da entrada principal da biblioteca”. O texto ainda diz que “o muro será retirado após o término do processo administrativo disciplinar”.

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