A estação de metrô da 114 Sul ganhou nesta quinta-feira (3) a terceira unidade do programa de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), que atenderá pessoas que sofreram crimes violentos – assassinatos ou tentativas de assassinato, sequestro relâmpago, crimes sexuais e de trânsito – e seu familiares. No local também funcionará um núcleo do projeto Casa do Saber, com livros infantis e de autoajuda.
O Pró-Vítima oferece assistência psicológica, jurídica e social a pessoas que passam por grandes traumas gerados pela violência, além das famílias que sofrem com o desaparecimento de parentes. A expectativa é de que com a nova unidade, de mais fácil acesso, o atendimento seja ampliado. Segundo a subsecretária do programa, Valéria Velasco, a demanda espontânea de pessoas que procuram o Pró-Vítima ainda é menor que a demanda gerada pelas vítimas encaminhadas por meio de parceira com a Polícia Civil.
Criado em abril deste ano pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus), o Pró-Vítima já realizou 609 atendimentos, encaminhou 101 ações judiciais e fez 508 visitas domiciliares. Valéria conta que mais de 60% das vítimas são mulheres e pelo menos metade dos atendimentos refere-se à violência doméstica. “Em casos de violência a atenção é toda dada ao criminoso. A vítima tradicionalmente fica esquecida”, diz Valéria, ressaltando a importância do trabalho da subsecretaria.
Para algumas famílias, a assistência dada logo após um grande choque é fundamental para ter ânimo de seguir em frente. “Esse trabalho que eles fazem nos dá sustentação, nos ensina a viver. Tinha que ser um projeto nacional e não apenas do DF”, defende a dona de casa Dulce Gonçalves, que em junho de 2008 perdeu a nora e um neto em um acidente de trânsito na BR-190, entre Santo Antônio do Descoberto e Ceilândia.
O carro dirigido pelo filho de Dulce foi atingido de frente por um motorista embriagado. Com a colisão, o sobrinho da nora, que estava no veículo, também morreu. A mãe da nora quebrou os ossos da face. O rapaz faz tratamento psicológico até hoje. Desde que recebeu apoio dos advogados, psicólogos e assistentes sociais do Pró-Vítima, Dulce trabalha como voluntária. Ela ajuda a encaminhar famílias que precisam de ajuda.
Livros de graça
Junto ao Pró-Vítima da 114 Sul funcionará a 59ª unidade do programa Casa do Saber, que disponibiliza livros gratuitamente à população. No local há ainda um espaço infantil para leitura, com mesinhas e cadeiras de plástico e uma prateleira repleta de títulos para a criançada.
De acordo com a coordenadora-geral do projeto, Carmen Gramacho, a proposta é incentivar a circulação de livros doados pela comunidade. As obras são coletadas nos postos de combustíveis da rede Gasol, criadora do projeto, e passam por uma triagem. De lá são encaminhadas a Bibliotecas do Saber instaladas em escolas públicas, presídios, centros de recuperação de jovens e ONGs.
Segundo Carmen, não há pessoas controlando a devolução dos livros, já que o objetivo é incentivar a leitura. Por isso as doações são tão importantes. De agosto de 2007 – quando o projeto foi criado – até hoje, mais de 1,2 milhão de livros foram doados. Até o final deste ano outras quatro bibliotecas serão criadas.