CARLIANE GOMES
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A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) prevê a substituição de 550 mil hidrômetros, em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. A ação faz parte das metas de modernização do sistema de abastecimento e atende às exigências do Marco Legal do Saneamento. Segundo a companhia, até o fim de 2026, 120 mil equipamentos devem ser trocados. “Os novos equipamentos irão melhorar a qualidade da medição de consumo, evitar desperdícios, facilitar identificação de vazamentos internos por clientes e aumentar a eficiência da rede”, explicou a pasta.
De acordo com a Caesb, o Distrito Federal conta com 755 mil hidrômetros ativos. Os novos aparelhos têm como objetivo garantir maior eficiência operacional e reduzir os gastos com produção, transporte e tratamento. “Isso ajuda a manter o sistema e evita custos que poderiam ser repassados ao consumidor. A troca de hidrômetros é feita regularmente pela Caesb, porém em menor escala”. Além disso, a substituição dos hidrômetros será feita com base na idade dos equipamentos. Segundo a Companhia, os aparelhos com mais de 10 anos serão priorizados. “A troca será feita em todas as regiões administrativas de forma indiscriminada, tendo como critério a idade do equipamento. A redução de perdas é um dos fatores utilizados pela Adasa no cálculo da tarifa”.
A companhia reforçou que a substituição não terá custo para os moradores. O investimento previsto é de R$100 milhões, com recursos próprios. A substituição em larga escala dos hidrômetros será iniciada após a assinatura do contrato. Segundo a Caesb, o novo financiamento permitirá ampliar significativamente a quantidade de equipamentos trocados nos próximos anos.
A instalação será feita preferencialmente do lado externo dos imóveis, conforme norma da Adasa. Nos casos em que o hidrômetro estiver localizado na área interna do imóvel, o morador precisa permitir o acesso do leiturista. “Os usuários que possuem os hidrômetros dentro da residência vão precisar de agendamento para a troca. As equipes da Caesb entraram em contato com os moradores. Quando o hidrômetro estiver fora da residência, ou seja, em área pública, o morador não precisa estar presente”, destacou a empresa.
A Caesb pretende substituir 550 mil hidrômetros até 2030, com foco em garantir medições mais precisas e adequadas aos diferentes perfis de consumo. No Distrito Federal, 3 tipos de hidrômetros são utilizados, e todos eles estão incluídos no plano de substituição. O velocimétrico, mais comum no DF, que mede o consumo pela velocidade do fluxo de água; o volumétrico, considerado mais preciso por calcular o volume real que passa por uma câmara interna; e o eletrônico, que funciona por sensores e será direcionado a grandes consumidores. A companhia planeja ampliar o uso dos modelos mais modernos, especialmente os volumétricos e eletrônicos, para assegurar registros mais exatos do consumo.
Conta de água
Para Eunice Silva, 55 anos, a troca dos hidrômetros antigos é necessária. “Tudo precisa de manutenção, tudo estraga. Às vezes o hidrômetro está velho, não faz mais o trabalho direito e a conta vem alta. Quando colocam um novo, ele já vem com uma regulagem melhor, que consegue funcionar com mais facilidade”, disse. A moradora de Taguatinga Norte destaca ainda que muitas pessoas não sabem que o equipamento precisa ser substituído. “Tem gente que nem imagina que isso precisa ser trocado. Eu mesma não sei identificar se tem algum problema. Só percebo quando a conta começa a vir mais alta do que o normal”, completou.
A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) acompanha o plano de substituição dos hidrômetros como parte das ações de controle e redução de perdas de água, tema que possui metas definidas e é fiscalizado pela agência. Segundo a Adasa, a troca dos equipamentos contribui para a identificação e redução de fraudes, desvios e ligações clandestinas, já que, a partir da substituição, eventuais irregularidades podem ser detectadas e corrigidas. “No momento da substituição, caso haja alguma fraude no hidrômetro, o usuário será notificado e a correção será realizada”, destacou. A Adasa ainda reforça que, em alguns casos, os hidrômetros antigos podem submeter o consumo, ou seja, registrar menos água do que a realmente utilizada. “Ao se trocar o aparelho por um mais novo e calibrado o usuário pode ter a percepção de aumento de fatura, mas na realidade é a cobrança correta e justa pelo seu consumo”, explicou à agência.
A Adasa destaca ainda que os hidrômetros utilizados atualmente não estão tecnologicamente defasados, mas precisam ser constantemente atualizados. A substituição deve seguir as normas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e ser realizada sem custo para o consumidor, sempre que for necessária por desgaste natural ou para adequação da capacidade de medição. Por fim, a Adasa ressaltou que o possível impacto tarifário da troca dos hidrômetros é considerado insignificante e só poderá ocorrer a partir da próxima Revisão Tarifária Periódica, prevista para 2028.