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Assoreamento reduz capacidade de abastecimento da bacia do Rio Descoberto

Por Arquivo Geral 03/05/2012 7h08

Bruna Sensêve
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A bacia hidrográfica do Rio Descoberto está em risco. Parte de sua área passa por intenso processo de assoreamento, reduzindo sua capacidade. Além disso, sofre com a diminuição da qualidade da água devido ao despejo irregular de esgoto doméstico e ainda a deposição de fertilizantes e agrotóxicos, que saem das áreas de produção rural próximas. A questão se torna uma preocupação urgente, especialmente, porque a região, localizada nos limites entre o estado de Goiás e o DF, é responsável por 65% do abastecimento de água das casas da capital. Cooperação técnica entre o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) procura solucionar essas questões.

 

Para o biólogo Paulo Sérgio Salles, é extremamente importante que as ações estratégicas para a recuperação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Descoberto sejam feitas em conjunto pelas duas unidades da federação. Isso porque os problemas são encontrados em ambos os lados. Paulo Sérgio é professor do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranoá (CBH/RP), ligado à Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa).

Desmatamento

No DF, o principal problema está na ocupação por chácaras e fazendas que desmataram a mata nativa e utilizam produtos químicos e fertilizantes na  agricultura. “Prejudica a qualidade da água com certeza. Todo lugar que tem essa aplicação, com a ação da chuva, tem os produtos levados da plantação para os corpos d’água”, detalha o biólogo. Do lado da barragem pertencente ao estado de Goiás, o crescimento frenético e desordenado da cidade de Águas Lindas seria o maior culpado pela deterioração.

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O município goiano foi criado no final da década de 1990 e hoje já possui 159.378 habitantes que moram essencialmente em área urbana, segundo os dados do Censo Demográfico de 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Foi a cidade que, durante alguns anos, mais cresceu no Brasil. Pense que metade dos municípios brasileiros tem menos de cinco mil habitantes. Essa população cresceu e o estado de Goiás não tinha como oferecer infraestrutura urbana. Tiram água da barragem para consumo e depositam sedimentos. A poluição e o crescimento colocou em risco a bacia”, acredita Paulo Salles.






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