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Brasília

Assassino de estudante espera julgamento pelo crime de feminicídio na Unidade Prisional de Alexânia

Arquivo Geral

08/11/2017 7h00

Foto: Divulgação/TJ-GO

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Agora arrependido, Misael Pereira Olair, 19 anos, espera o julgamento pelo crime de feminicídio na Unidade Prisional de Alexânia. Ele confessou ter sido o autor do assassinato da menina Raphaella Noviski, atingida por 11 tiros a menos de meio metro de distância dentro de escola pública do município. A audiência que manteve a prisão foi acompanhada de perto por parentes da vítima momentos após prestarem as últimas homenagens à menina. “A dor transborda o corpo e a alma”, resume a delegada Rafaela Wiezel Azzi.

“Depois da audiência de custódia, Mizael já se disse arrependido”, afirma a titular da Polícia Civil do município. A ela, o suspeito disse que comprou as munições há dois meses e que ligou para a vítima na manhã do crime ameaçando-a. O comparsa Davi José de Souza, 49, que transportou, esperou e deu fuga ao homem, também ficará recluso. Os dois estão em uma cela separada de outros detentos, onde ficarão presos preventivamente por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Se condenados, podem ficar reclusos por até 30 anos.

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A delegada espera concluir o inquérito na semana que vem, com circunstância, materialidade e autoria definidos, para ser remetido ao Ministério Público. Apesar da confissão de Misael, ela esclarece que é preciso “dinamizar alguns pontos”, como o acesso à arma. De acordo com Rafaela Wiezel Azzi, diligências estão adiantadas e os depoimentos devem ser ouvidos em breve, deixando familiares por último. “É um momento difícil. Enquanto Estado, temos que respeitar a família”, explica.

Frente a frente

A Justiça de Goiás permitiu a presença dos familiares durante a audiência de custódia comandada na tarde de ontem pelo magistrado Leonardo Lopes dos Santos Bordini. Em uma sala do Fórum da Comarca de Alexânia, eles ficaram frente a frente com o algoz de Raphaella. Ao decidir pela manutenção da prisão, o juiz defendeu a garantia da ordem pública pela gravidade da conduta e destacou a existência da prova do crime e de indícios suficientes de autoria.

Horas antes, amigos e parentes se despediram de Raphaella. O velório, na Igreja Assembleia de Deus Madureira, varou a madrugada e teve participação de mais de duas mil pessoas. O enterro aconteceu após cortejo a pé de 2,5 km no Cemitério Campo da Saudade.

Foto: Divulgação/TJ-GO

Foto: Divulgação/TJ-GO

Risco de linchamento na saída

A adolescente tinha 16 anos e cursava o 9º ano do Ensino Fundamental. Cerca de um ano atrás, ela teria recusado investidas e presentes do suspeito. A revolta da população fez com que mais de cem pessoas acompanhassem a decisão judicial do lado de fora do prédio aos gritos de “justiça”. Na saída, tentaram conter o carro que transportava os presos. “Foi difícil colocá-los dentro da viatura. A Polícia Civil teve que montar esquema para conduzir Misael disfarçadamente e impedir linchamento. A revolta poderia colocar em risco a vida de terceiros e dele mesmo, que tem direito a julgamento. Atentar contra a vida dele não vai trazê-la de volta”, pondera a delegada.

“Eu mato”

Em interrogatório, Mizael afirmou que juntou dinheiro por um ano e comprou a arma com a intenção de matar. Dizendo sentir ódio sem explicação, ele pulou o muro da Escola Estadual 13 de Maio e descarregou contra a vítima toda a munição que tinha no revólver calibre 32. Em seguida, recarregou e disparou novamente.

Na delegacia, a princípio, ele negou arrependimento. Misael confessou o crime e disse que conhecia a vítima há cerca de cinco anos. No ano passado, ambos teriam sido colegas de classe e ela teria o rejeitado. Eles moravam próximos, mas não tinham contato nem por redes sociais. “Eu só estava esperando preparar tudo. Aí, quando ficou pronto, falei: agora é só ir lá na hora que eu quiser e eu mato”, disse à delegada.

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