Mesmo com inúmeras transformações desde a sua criação, há 44 anos, o Guará ainda conserva o perfil bucólico, tranquilo e parte da arquitetura e calçamento originais. Prova disso são as pedras portuguesas, que enfeitam as calçadas às margens das pistas do Guará II. As pedras foram instaladas em 1986 e são consideradas parte da história e cultura da região pelos moradores. Mesmo assim, em audiência pública, ficou decidido pela maioria que o calçamento será substituído por um piso mais apropriado para caminhadas.
A autorização para a substituição das pedras foi assinada na última quinta-feira, pelo administrador Carlos Nogueira. A reforma está orçada em R$ 827 mil.
Durante a audiência pública, apenas dois oradores, dos 16 que se inscreveram para falar, defenderam a manutenção do piso original do calçadão. Entre os argumentos citados estavam “afinidades estéticas”, “símbolo de uma comunidade”, “patrimônio cultural da cidade”, entre outros.
Para os demais, o calçadão é inadequado. Foram relatados acidentes ocorridos, especialmente entre idosos e deficientes visuais. O custo de manutenção – já que pedras deste tipo são caras e difíceis de encontrar caso precisem de substituição – também foi questionado.
Existem calçadas similares no Guará I, mas boa parte já foi substituída por concreto ou asfalto. No Guará II, a reforma deve começar nas próximas semanas, após o período de chuvas. As pedras vão ser reaproveitadas em praças.
Moradores avaliam
A mudança, porém, ainda causa controvérsias. Será que as opiniões levadas a audiência pública representam fielmente a maioria da população do Guará?
A escritora Regina Célia, de 43 anos, apoia a reforma. “O piso é irregular e atrapalha a caminhada. Há partes que estão ruins, com buracos e sem pedras. Acho que a reforma é necessária e vai ficar ótimo”, disse.
Élida Saraiva, professora de educação física, de 42 anos, concorda com a vizinha. “A pista não é nivelada e oscila bastante, nos fazendo tropeçar. Como é ruim caminhar aqui, as pessoas acabam utilizando a ciclovia”, observa.
Patrimônio
Já Mauro Soares, administrador, de 60 anos, discorda. “É um absurdo, um retrocesso. Essas pedras são patrimônio do Guará. Elas complementam a beleza do bairro”, disse. Ele também chama a atenção para outra questão importante, a poda da vegetação ao redor da calçada. “É preciso fazer a manutenção da pista e cortar a grama. Ela já tomou uma parte do calçamento e por isso a área para caminhada está menor”, explicou.
Segundo o administrador regional do Guará, Carlos Nogueira, a substituição das pedras portuguesas seria iniciada ainda no final do ano passado, mas os recursos financeiros foram contingenciados, o que impediu o início da obra. “A mudança trará mais conforto, segurança e qualidade de vida aos praticantes de esportes e usuários do local”, afirma.