Uma aula completa da história de Brasília. Assim são as visitas guiadas ao Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF). O espaço, que tem como missão recolher, preservar, proteger e oferecer à comunidade acesso aos documentos mais importantes da história, também proporciona o serviço a instituições de ensino públicas e particulares da capital. “Não adianta termos tantas preciosidades guardadas se esses documentos não chegam à comunidade”, justifica o superintendente do órgão, Luiz Ribeiro de Mendonça.
Todas as escolas públicas do Distrito Federal, incluindo 421 particulares, já foram convidadas a conhecer o espaço. Somente em agosto, o local deverá receber 840 alunos de instituições públicas. Ao final do passeio, os estudantes ganham um diploma de participação. Realizado desde 2007, o programa de educação patrimonial registrou até 2009 a presença de 3.429 estudantes. Até o final de agosto, a estimativa é de que a iniciativa tenha atingido mais de 3,8 mil estudantes.
Nesta quarta-feira (4) foi a vez de 60 alunos do Centro de Ensino Fundamental Drª Zilda Arns Neumann, localizado no Itapoã. A visita, que passou por todas as salas do Arquivo Público, durou cerca de duas horas. “É uma aula da história da minha cidade”, afirmou o estudante da 5° série, Celso Júnior. “Já visitamos outros espaços, como museus e monumentos públicos, que também contribuem para a nossa vida escolar”, completou Karina Ramos, de 11 anos.
Na opinião da professora de história do grupo, Eliane de Sousa, a atividade complementa o trabalho de sala de aula. “Nos espaços públicos temos recursos que despertam a atenção das crianças e dos adolescentes”. O guia técnico Euler Frank, que também é diretor de Arquivo Permanente, concorda. Para ele, com tantos recursos visuais os estudantes tendem a assimilar melhor o conhecimento aplicado em classe. “O interesse dos alunos fica exposto nos olhos deles. Na prática, tudo fica mais fácil.”
Relíquias em som e imagem
O Museu Nacional da Imagem e do Som foi instalado no local em 2007. A ideia é reunir e preservar depoimentos de personalidades mais significativas do Brasil e do Distrito Federal em todos os segmentos. Atualmente, o órgão já conta com 61 documentos gravados, totalizando mais de 104 horas.
Além disso, o ArPDF também inclui uma biblioteca, com um acervo de aproximadamente 4 mil publicações, entre livros, folhetos, periódicos, recortes de jornal, artigos e até CD-ROMs. Com o objetivo de evitar que os documentos sejam danificados pela ação do tempo, todo o acervo está sendo digitalizado.
Pesquisas históricas
Outro serviço oferecido à população no Arquivo Público é a possibilidade de se pesquisar documentos referentes aos antigos candangos e moradores da cidade. Entre 2007 e 2009 foram realizadas 3.568 pesquisas, utilizadas como comprovantes para aposentadoria.
O ArPDF também produz folders, que são levados a espaços públicos, livros em três línguas (distribuídos em embaixadas e entre os visitantes) e cartões-postais com os principais pontos turísticos da capital, além de CDs e DVDs com informações sobre a história do Distrito Federal. Além disso, o local ainda costuma abrigar diversas exposições históricas.
Um quarto de século de preservação
Em 27 de abril de 1983, por meio do Decreto nº 7.493, foi criado um grupo de trabalho que tinha como o objetivo estudar, sugerir, propor e adotar medidas para a implantação do Arquivo Público do Distrito Federal. O órgão foi criado oficialmente em 14 de março de 1985, pelo Decreto nº 8.530.
Em 28 de abril de 2000, foi aprovada a Lei nº 2.545, que dispõe sobre a proteção dos documentos de arquivos públicos, definindo o ArPDF como instituição pública do Poder Executivo e colocando-o como órgão central do Sistema de Arquivos do Distrito Federal (Siardf). Atualmente, o local conta com 39 funcionários.