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Brasília

Arquitetura da Esplanada dos Ministérios é pouco compartilhada pelas pessoas

Arquivo Geral

16/11/2012 7h05

Soraya Sobreira

soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

Algumas pessoas passam todos os dias pela Esplanada dos Ministérios e mal observam os monumentos ao longo do caminho. Na correria de sempre, o objetivo é chegar logo ao destino, em geral, o trabalho, terminar o expediente e voltar para casa, com a mesma pressa,  a fim de descansar. Este é o caso do  estudante Nataniel Mota, 25 anos. Ele passa pelo local todos os dias a caminho do trabalho, mas não vê atrativos pelo trajeto. 

 

“Quase não vejo ninguém de Brasília visitando esta área e dizendo que gosta de passear nestes locais públicos. Na Esplanada faço uma caminhada todos os dias, mas para trabalhar, e confesso que considero o lugar chato, sem distração. Não há sombras, então você não quer nem olhar para os lados e sim passar com rapidez”, observa. Para o estudante, a cara do lugar muda quando se tem uma exposição. “Outro dia colocaram várias fotos expostas ao longo da Esplanada, próximo à Catedral, e as pessoas paravam e olhavam. Eu fui um destes”, conta Nataniel. Ele confessa que costuma visitar os espaços só quando tem novidade. “Já visitei muitos locais públicos, mas só quando sinto que é algo que vai valer à pena. Já em alguns lugares não me arrisco, considero perigoso e sem atrativos”, avalia.

 

O problema detectado por Nataniel é melhor definido pela professora de Arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) Gabriela Tenório, que fez um estudo sobre o desenho urbanístico da capital federal. Calçadas mal dimensionadas e sem reparos, falta de entretenimento, de acessibilidade, de ciclovias, além de estruturas precárias de transporte público, são os principais fatores que desestimulam as pessoas a utilizarem os espaços públicos, que acabam ficando  vazios ou são pouco aproveitados. 

 

A professora avalia que os trajetos longos e desconfortáveis enfrentados por pedestres, as áreas livres desperdiçadas e os espaços públicos deteriorados reduzem a qualidade de vida dos cidadãos. “A ideia é projetar os lugares públicos que favoreçam a diversidade. Em todos os lugares do mundo estão acontecendo reformas dos espaços públicos, inclusive,  fazer praças com atrativos”, afirma.

 

Na Praça do Museu da República, por exemplo, onde Nataniel se deparou com uma exposição dias atrás, ela destaca a falta de acomodação para os visitantes. “São somente quatro bancos no sol. Isto é convidativo? Temos que avaliar além da estética, pois pode ser linda, mas se não tem ninguém usando é porque tem algum problema. Sinto que os monumentos e as praças são feitos muito para serem olhados de longe porque as pessoas não se sentem à vontade para participarem daquele local”, conta a pesquisadora.

 

Assim, para ela, a conclusão seria de que a  Esplanada dos Ministérios só tem uma opção: trabalhar. “Até para fazer um lanche é complicado. Será que uma lanchonete ou arborização tira Brasília do status de Patrimônio Cultural da Humanidade?  O tombamento é importante, mas há itens que não atrapalham na escala monumental”, completa.  

 

“Infelizmente, se esse esvaziamento não é notado, não é de se admirar que não se faça nada mais por esses espaços”, lamenta a arquiteta, referindo-se, por exemplo, ao abandono verificado nas praças contíguas ao Conjunto Nacional de Brasília e ao Edifício Conic, nos setores de Diversão Norte e Sul, respectivamente. 

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