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Brasília

Arma letal com criança, cerol mata mais uma pessoa no DF

Arquivo Geral

22/01/2013 7h00

Soraya Sobreira
soraiasobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

Comum em época de férias, a brincadeira de soltar pipas torna-se perigosa, e até fatal, com o uso de cerol, substância proibida feita de cola de madeira com vidro triturado. Ontem, mais uma pessoa foi morta devido à combinação criminosa. A vítima é uma mulher que perdeu a vida depois de um corte no pescoço feito por uma linha de pipa. Ela foi enterrada no Cemitério de Taguatinga.

 

O acidente aconteceu no domingo, por volta das 20h, na via próximo ao Senai, em Taguatinga Norte. Zenilda Belo de Souza Silva, 47 anos, estava seguindo de carona em uma motocicleta para mais uma visita ao marido, internado com problemas cardíacos no hospital regional da cidade. A moto era conduzida pelo filho da vitima, Douglas de Souza Silva, 24 anos. Ele só não foi atingido porque conseguiu se abaixar a tempo.

 

Um parente contou que o rapaz só conseguiu segurar a mãe para ela não cair. “Ela morreu nos braços do filho. Esta tragédia abalou todos os familiares. Quantas pessoas precisarão morrer para que algo seja feito?”, questionou o porteiro Gilmar Belo de Souza, 38 anos, irmão da vítima.

 

Sem antena

 

A moto não tinha o equipamento de segurança, a chamada antena de proteção, que fica acima do guidom, e que tem como objetivo evitar que qualquer linha alcance o corpo do condutor.  No Distrito Federal, a antena é uma exigência apenas para os motofretistas e mototaxistas. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), para as demais motocicletas, ela é opcional, depende do proprietário colocá-la ou não.

 

Obrigatório ou não, o técnico em informática Cristiano Pires, 26 anos, usa a antena na moto há seis anos. “Eu sempre fiquei atento a este risco até mesmo por acompanhar outros casos de morte devido à linha com cerol”, afirmou. Ele disse que desembolsou apenas R$ 25 para comprá-lo.

 

O caso de Zenilda Belo está sendo investigado pela 17ª Delegacia de Polícia, onde é tratado como homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. “São inúmeros os casos de pessoas usando cerol na brincadeira de pipas, que deveria ser uma coisa inocente de crianças. A segurança também é um dever de todos”, informou o delegado-chefe Daniel Gomes. Para ele, o uso da antena deveria ser considerado indispensável.

 

A perícia encontrou a linha que provocou o acidente. Ela estava presa às árvores e à rede elétrica. 
 

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