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Brasília

Apreensões de motocicletas sobem 28%

Arquivo Geral

23/06/2015 6h00

O número de motocicletas apreendidas no Distrito Federal neste ano é 28% maior que o registrado nos primeiros seis meses de 2014. Os 2.474 veículos retidos pelo Departamento de Trânsito (Detran) representam uma média de 14 flagrantes diários de irregularidades.  A cada dez parados em blitze, quatro não são habilitados. Especialista fala em aumento de fiscalização, mas considera antigo  o hábito dos inabilitados. 

“A gente tem intensificado muito a abordagem de todo tipo de veículo, em especial às motocicletas, porque são as que mais se envolvem em acidentes”, explica o diretor de Fiscalização do departamento, Silvaim Fonseca.

Com mais operações, o objetivo é “tirar de circulação os condutores que não oferecem condições de segurança”. Fonseca elenca a categoria como uma das mais frágeis, já que, como proteção, há apenas a vestimenta e o capacete.

Mais frequentes

De acordo com ele, os principais flagrantes são de condutores inabilitados ou sem habilitação para a categoria, circulação pelos corredores entre carros em momentos não permitidos, distância menor à requerida, equipamentos fora do padrão em caso de motofretistas e condutores alcoolizados. 

O empresário Marcelo Barra, 42 anos, pilota desde os 13 anos. Hoje, ele participa de um motoclube que está com três veículos retidos no Detran. Um com documentação vencida, outro com acessório irregular e o terceiro por rompimento do lacre da placa. 

Para ele, faltam ações educativas com foco em motociclistas. “Tem que explicar o que pode ou não ser feito, porque hoje funciona como uma fábrica de multas. Se quer dinheiro, vai em cima de quem está errado, mas não explica o porquê. Deveria ter mais campanhas”, opina. 

Uma brecha para sérias consequências

Marciel Rodrigues, 31, pilota há 13 anos e aliou a paixão com o trabalho. Hoje, vende esse tipo de veículo e confirma um dos motivos apontados pelo Detran pelas apreensões: “Muitos clientes não têm carteira ou não são habilitados para a categoria. E são de todos os níveis de poder aquisitivo”. 

Silvaim Fonseca, do Detran-DF,  lembra ainda que “infrações isoladas podem causar consequências graves”. O motociclista Marcelo Barra, por exemplo, em quase 30 anos conduzindo motos, sofreu quatro acidentes violentos e tem no rosto, na perna, no braço e nas costelas as marcas das consequências.  

Números do Detran revelam que  3,75 motociclistas morreram por dia nas ruas do DF, mais que os 3,1 registrados em 2014. Além disso, 25 se envolveram em acidentes que culminaram no óbito de uma pessoa no primeiro quadrimestre do ano –   a metade de todo o anterior. 

“No ano passado, verificamos um levantamento do Instituto Médico Legal (IML) que apontava que, dos motociclistas que morreram, 38% não eram habilitados para a categoria e 40% haviam ingerido álcool. Hoje, de cada dez motociclistas parados nas blitze, quatro são inabilitados ou não têm a categoria”, revela. 

Ponto de vista

O Detran teve um aumento de efetivo  que justifica o crescimento da fiscalização e, consequentemente,   de apreensões. É o que acredita o pesquisador e especialista em trânsito Artur Morais. Ele afirma que a questão dos flagrantes de falta de habilitação “é um fenômeno antigo” e que os casos de alcoolemia se relacionam a “uma questão cultural do motorista que ainda não entendeu o perigo que é beber e dirigir”. Ele diz, ainda, que é necessário haver restrições, inclusive para motofretistas, para garantir a segurança de todos. “Ter uma carta de habilitação não quer dizer que dirige melhor ou pior. Mas, se ninguém tiver, vira o caos. Individualmente, isso não vai te livrar do acidente, mas, coletivamente, vai diminuir os riscos”, exemplifica.  

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