Francisco Dutra, Isa Stacciarini e Johnny Braga
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Quando as negociações entre o Movimento dos Sem Terra (MST) e o GDF pareciam estar mais próximas de um final feliz, os integrantes do grupo surpreenderam mais uma vez e decidiram migrar o acampamento da Fazenda Gama para as margens da DF-001, em Santa Maria. Foram quase dez horas de negociação sob clima tenso para que enfim houvesse retirada de aproximadamente cem manifestantes. A ameaça era de resistência à ação da tropa de choque da Polícia Militar, mas antes que houvesse confronto, o grupo decidiu deixar o local.
Os sem-terra começaram a invadir a área de 175 hectares da Terracap na noite de terça, quando desocupavam a área pública próxima ao Catetinho. No entanto, a retirada do novo local só aconteceu às 17h, após a intervenção de 250 policiais militares, incluindo a cavalaria.
Ao todo, 13 barracas foram retiradas por equipes da Secretaria de Ordem Pública e Social do DF (Seops). Entretanto, até o fim da tarde, os manifestantes davam indícios de que ficariam instalados nas proximidades. Os integrantes do movimento só começaram a deixar o local após um acordo com o GDF de que dois caminhões transportariam os pertences para as duas áreas de assentamento do MST, em Brazlândia e Planaltina. Além disso, uma reunião com o governo foi agendada para hoje, às 18h.
Repressão
O comandante da operação de retirada, tenente coronel Jean Rodrigues de Oliveira, ressalta que os policiais começaram a agir com a demonstração do uso de força quando 80 integrantes do MST invadiram a chácara Saia Velha, em Santa Maria, para se deslocarem a DF-001 em apoio aos colegas.
“Eles foram interceptados, mas a desocupação foi realizada de forma pacífica. Os manifestantes ficaram receosos ao ver que a polícia estava disposta a agir”, diz. Oliveira ressalta que na noite passada pelo menos duas viaturas estariam no local para coibir a retomada da invasão.
Diante da resistência dos sem-terra em ficar no local, durante a manhã 30 policiais militares foram recebidos com hostilidade pelos manifestantes, armados com pedaços de madeira, machados e foices. Segundo os integrantes do MST, o motivo da invasão era em razão da ausência de propostas apresentadas pelo GDF. “Só saímos daqui mortos. Estamos prontos para o confronto”, disse um dos líderes do movimento, Edmar Tavares.
Nada de chantagem
O Palácio do Buriti classificou a movimentação do MST como uma quebra de acordo. Segundo o porta-voz oficial do GDF, Hugo Braga, o governo considera inaceitável qualquer ocupação irregular. “Queremos seriedade e não dá para fornecer novos prazos, por isso o GDF está atuando com firmeza. A determinação é não permitir novas invasões”, resumiu. O secretário de Governo, Gustavo Ponce de Leon, afirmou que o governo não está disposto a chantagem. Ele disse que o GDF está investigando se existem pessoas com interesses diferentes da reforma agrária infiltrados no movimento.
“Sabemos que podem existir pessoas mal intencionadas, que buscam o lucro fácil. O governo continuará respeitando os legítimos movimentos sociais. Com eles trataremos com respeito, negociação e políticas públicas. Agora, quem se comporta com crimes, vamos tratar criminalmente”, disse o secretário. Atualmente, o governo tem cadastradas duas mil famílias dentro do processo de reforma agrária em assentamentos e pré-assentamentos.
Segundo o GDF, há a suspeita que parte dessas famílias tenha participado das recentes invasões de terra. O secretário alega que o governo possui projetos para fomentar a agricultura familiar.
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