Raquel Martins Ribeiro
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No dia seguinte à pane em um dos brinquedos, o parque de diversões Nicolândia, no Parque da Cidade, funcionou normalmente. No entanto, o Kamikaze, atração em que dez crianças e adultos ficaram presos durante mais de uma hora, segue interditado pela Defesa Civil. O órgão agendou uma vistoria geral no parque para amanhã.
Ontem, nem a chuva ou o incidente intimidaram os frequentadores, que, segundo a administração do local, somam cerca de mil pessoas semanalmente. Público que, devido ao susto do dia anterior, parecia mais cauteloso devido à sensação de insegurança.
É o caso de Meire Dantas, que afirma só ter ido ao parque devido à insistência da filha Cecília Dantas, de 11 anos, que escolheu o local para comemorar o aniversário. “Ela me venceu pelo cansaço. Ainda assim, me sinto insegura. Em alguns brinquedos mais radicais, eu prefiro que ela nem ande”, afirma a mãe.
Manutenção
Para o casal Anderson e Regina Rocha, que acompanhava as comemorações do aniversário de Cecília, em períodos de chuva, as manutenções deveriam ser mais frequentes. “Não se deve esperar que aconteça algo do tipo para se avaliar o estado dos aparelhos. O ideal é que as vistorias sejam feitas periodicamente, principalmente, no período de tempestades, como o de agora”, ressalta Anderson.
“As pessoas buscam por adrenalina e esquecem de pensar na segurança”, acredita Kellen Fagundes, que aproveitava a tarde com o marido Patrick da Silva e a filha Lívia, de dois anos. De acordo com a gaúcha radicada em Brasília, apesar de o parque oferecer diversas opções, ela só escolhe as que aparentam maior bem-estar. “Há alguns brinquedos que nem cinto de segurança têm. Tem gente que se arrisca. Eu não”, conclui.
Para o major Sinfronio Lopes, da Defesa Civil, não há motivos para temer pela segurança, já que a documentação e as vistorias estão em dia. “A última no Kamikaze foi feita há quatro meses. Ele é novo”, assegura o major.
Problema “pode ocorrer”
A diretoria do Nicolândia argumenta que problemas são passíveis de acontecer nos melhores parques do mundo. “Estamos preparados para oferecer segurança, mesmo em casos como o ocorrido”, garante Marco Antônio Gomes de Souza, diretor operacional.
Ele salienta, ainda, que o brinquedo permanecerá interditado até que se analise a causa do problema. “Estamos aguardando a visita técnica por parte do fabricante, e será feito um levantamento para sabermos onde ouve o defeito”, explica.
Souza pede que os visitantes fiquem tranquilos: “As nossas manutenções são feitas periodicamente. Prezamos pela segurança em primeiro lugar.”
Em parques permanentes como o Nicolândia, as vistorias da Defesa Civil são anuais. Em caso de modificação ou dada a chegada de um brinquedo, é feita nova avaliação.
Memória
Em novembro de 2012, o Nicolândia foi interditado após uma criança de 12 anos ser arremessada do brinquedo Rock and Roll, que girava em alta velocidade. O local pôde ser reaberto depois de quase um mês. Na época, foi constatado que o estabelecimento não tinha alvará.
Em 2008, quatro adolescentes se feriram na montanha russa. O sistema de freio emergencial do aparelho foi acionado, mas um carro se chocou com outro.