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Brasília

Após manifestação, projeto para regulamentação do Uber será votado

Arquivo Geral

01/06/2016 11h18

Atualizada 02/06/2016 2h37

Cerca de 100 carros do Uber se reuniram, no fim da manhã desta quarta (1°), para protestar contra a agressão sofrida por quatro irmãos na noite de ontem. Com buzinas e fárois acesos, os motoristas seguiram em carreata do Estádio Nacional Mané Garrincha em direção à Câmara Legislativa. Eles cobram a celeridade no projeto de lei que regulamenta a profissão, bem como um posicionamento do governo diante dos últimos acontecimentos. Ao fim da sessão plenária, a presidente da Câmera Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão, decidiu que o projeto será votado em plenário no próximo dia 21.

Leia mais: Taxistas agridem família ao confundir irmãos com passageiros do Uber

Sessão plenária na CLDF debate tema

Os motoristas do Uber acompanharam a sessão plenária que ocorrereu às 15h de hoje e teve o episódio da agressão como pauta, além da regulamentação do aplicativo no Distrito Federal.  O deputado Prof. Israel Batista (PV), que já vinha defendendo a regulamentação do Uber, voltou a argumentar em favor da nova tecnologia de transporte. “Os taxistas têm a seu favor toda uma tradição de seu serviço, mas as agressões registradas ontem mancham essa história. Há dois séculos, quando começou a revolução industrial, trabalhadores revoltados tentaram frear a marcha da história quebrando máquinas. Esse tipo de reação inútil e inaceitável está se repetindo no nosso país”, lamentou.

Segundo Israel Batista, não há razão econômica que justifique o monopólio do transporte individual de passageiros pelos taxistas. “Nossa sociedade está abarrotada de automóveis, a grande maioria deles com apenas um ocupante. Se há excesso de carros nas ruas, o valor cobrado pelos táxis não deveria ser tão alto. Mas isso ocorre porque a precificação se dá por lei, num modelo antiquado do século passado, quando automóveis eram escassos. Hoje, se eu quiser rachar a gasolina com alguém para otimizar o uso do meu carro, estarei cometendo um crime de acordo com a legislação”, disse. E completou: “Não podemos legislar em prol de categorias organizadas, mas sim legislar em prol da sociedade. Esta Câmara precisa enfrentar a transição para o século XXI, não ficar pateticamente defendendo um modelo obsoleto”, defendeu.

O deputado Cristiano Araújo (PSD), que havia anteriormente se posicionado a favor dos taxistas, usou o microfone da tribuna para anunciar que mudará de posição. “Sempre defendi os taxistas aqui e inclusive trabalhei para tentar frear a chegada do Uber na nossa cidade, mas diante dos acontecimentos recentes eu retiro meu apoio aos taxistas. Fui procurado pelas vítimas das agressões e fiquei muito sensibilizado com os relatos. Chegou a hora de votarmos esse projeto”, afirmou o distrital, que também exigiu que o GDF casse as licenças de taxistas envolvidos em agressões.

Defesa dos taxistas

O deputado Agaciel Maia (PR) condenou as agressões ocorridas, mas voltou a defender a categoria dos taxistas. “Apelar para a violência é uma burrice inigualável. Fica até difícil fazer a defesa dos taxistas antigos e honestos que estão aí na praça há décadas. Mas preciso alertar para o monopólio que o Uber planeja criar em nossa sociedade. Depois que acabarem com os táxis, eles vão subir os preços e todo mundo será refém dessa empresa”, alertou.

Chico Vigilante (PT), por sua vez, criticou o que chamou de exploração dos trabalhadores. “Não sou contra os motoristas do Uber, mas sou contra a exploração desses motoristas. Como pode um norte-americano criar um aplicativo nos Estados Unidos e explorar um serviço no Brasil sem pagar imposto? Todo o lucro vai para o exterior enquanto os trabalhadores brasileiros são explorados sem nenhuma garantia de seus direitos. No meu entendimento, a solução depende de licitação pública para permissões de táxi. Se forem dadas as condições, todos os taxistas prestarão um serviço de qualidade”, afirmou.

Relembre o caso

O desafeto entre taxistas e motoristas do aplicativo Uber gerou mais um capítulo negativo nessa terça (31). Desta vez, quatro irmãos foram agredidos e o palco do episódio foi o terminal II do Aeroporto Internacional de Brasília.

Por volta das 20h30, uma família que chegava de viagem foi agredida por um grupo de taxistas. De acordo com os relatos das vítimas, quando todos já estavam no interior do veículo  os taxistas se aproximaram imaginando que o motorista trabalhasse pelo aplicativo. Foi então que iniciaram o vandalismo ao automóvel e as agressões aos ocupantes do veículo.

A família relata que, apesar  de negar que trabalhava para o Uber,  os permissionários quebraram o vidro traseiro e arranharam a lateral direita do veículo.

As vítimas tiveram ferimentos diversos causados por socos, pontapés, paus, barra de ferro e até uma faca. Eles foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de corpo de delito. A 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) investiga o caso.

Outras confusões

Ainda na tarde de ontem, uma confusão envolvendo motoristas do aplicativo e taxistas ocorreu na porta da  2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte. Os condutores do Uber procuraram a polícia para registrar um boletim de ocorrência, onde denunciavam que os taxistas espalharam óleo na pista por onde os motoristas costumam passar. No momento em que realizavam a ação, permissionários chegaram na delegacia e iniciaram uma discussão. Alguns carros foram depredados.

Também na noite ontem, taxistas e motoristas do Uber entraram em confronto em um posto de gasolina próximo ao Aeroporto. Pedras foram atiradas nos vidros dos carros e a Polícia Militar foi acionada. Todos os envolvidos na confusão foram encaminhados à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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