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Brasília

Após levar três tiros, vítima pediu socorro por telefone

Arquivo Geral

24/03/2009 0h00

Uma das definições de amor descrita no dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira diz que é um sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser, advice mas que apresenta grande variedade de comportamento e reações quando a inclinação é ditada por laços de família. A afirmação segue à risca o descontrole de alguns homens que não aceitam perder as mulheres e mostra que a violência contra elas tem aumentado, healing apesar da Lei Maria da Penha que pune com rigor os agressores. Nos primeiros 81 dias deste ano, cialis 40mg a polícia registrou sete assassinatos praticados contra mulheres contra oito durante todo o ano passado.

A vítima mais recente foi a jovem Simone das Graças Santos, 23 anos, mãe de duas crianças: uma menina de sete anos e um garoto de um ano e quatro meses. O autor do assassinato é o vendedor Edvaldo Pereira da Silva, 28 anos, ex-companheiro da vítima. O casal estava separado havia cerca de um mês, mas o comerciário não aceitava a separação. Apesar de ter traído a ex-companheira, ele não admitia o fim do relacionamento. No dia do crime, Edvaldo disse a Célia das Graças, irmã de Simone: “Amo muito sua irmã. Não aguento viver sem ela e estou prestes a fazer uma besteira”.

Ameaças
Dois dias antes da tragédia, Edvaldo havia ameaçado a mulher, mas ela preferiu não denunciar o ex-companheiro, pai de seu filho mais novo. A menina era filha do primeiro relacionamento de Simone. Ela procurou a polícia para dizer que o comerciário teria levado o computador de sua casa. O delegado Márcio Michel, chefe da 35ª DP (Sobradinho II), disse à jovem que só poderia tomar alguma decisão se ela registrasse ocorrência. Porém, Simone afirmou que iria tentar o diálogo antes de adotar providência mais drástica contra o ex-companheiro.

Segundo  Paulo Lacerda, 35 anos, cunhado de Simone, sexta-feira por volta de 21h30, Edvaldo pegou a ex-mulher, na AR 10, em Sobradinho II, com os filhos. Levou as crianças para a casa da tia, Célia, na AR 8. A menina ainda pediu para acompanhá-los, mas ele  disse que precisava ter uma conversa de adulto com Simone. O vendedor levou a ex-mulher para uma estrada de terra no Polo de Cinema de Sobradinho e disparou três tiros à queima roupa. Os disparos atingiram a cabeça, o abdômen e a mão esquerda da mulher.

Edvaldo abandonou a vítima agonizando. Mesmo ferida, Simone usou o celular para chamar um amigo, identificado apenas como Wesley,  e pedir ajuda. Disse que havia sido baleada e denunciou o autor. Wesley foi ao local. Para encontrá-la, ainda conversou pelo telefone com a vítima.

Encontro
Socorrida ao Hospital Regional de Sobradinho (HRS), Simone encontrou a mãe, Maria das Graças, 55 anos, auxiliar de serviços gerais de uma empresa terceirizada e que estava trabalhando no hospital. Repetiu que o ex-marido tentou matá-la. “Mãe me salva. Tenho que criar meus filhos e não posso morrer”, disse. A mesma frase foi repetida ao médico que a atendeu.

Depois de duas cirurgias, ela precisou ser transferida para o Hospital de Base. Porém, Simone não resistiu e morreu domingo, por volta de 9h30, com hemorragia no abdômen. O corpo foi sepultado ontem, às 17h, no Cemitério de Sobradinho. Cerca de 150 pessoas, entre amigos e parentes, acompanharam a cerimônia. 

Desespero
A mãe de Simone, Maria das Graças, precisou ser medicada para participar do sepultamento. “Ela não merecia morrer de uma forma tão covarde e tendo como assassino o homem que amou. Ela separou porque ele a traiu”, disse.


O delegado Márcio Michel,  responsável pelas investigações, esteve no hospital e conversou com Simone, logo depois que ela foi baleada. Ontem pela manhã, soube da morte da mulher e pediu à Justiça a prisão temporária de Edvaldo. No fim da tarde, o acusado se apresentou com um advogado, mas acabou preso, indiciado por homicídio qualificado e pode ser condenado a uma pena  até 30 anos de reclusão. Na opinião de Michel, o ex-companheiro premeditou o assassinato. Sobradinho II estava há 95 dias sem um homicídio.  “Não se trata de uma violência social e sim familiar”, afirma o delegado.

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