João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília
O caso do bebê encontrado morto no Lago Paranoá no último domingo começa a se desenrolar. A Polícia Civil sabe a identidade da criança e da mãe, mas ainda não compreendeu a dinâmica de tudo o que ocorreu. Ontem, familiares prestaram depoimentos na 10ª DP (Lago Sul), onde o caso é investigado. A polícia agora precisa montar o quebra-cabeça e entender se Elizângela dos Santos Carvalho, 36, que ainda não foi encontrada, se jogou junto ao filho ou apenas lançou a criança e fugiu.
Miguel Santos Carvalho nasceu em outubro do ano passado e era o caçula de Elizângela, que tinha mais um filho de quatro anos com o ex-marido, do qual estava separada há algum tempo. De acordo com a Polícia Civil, após a identificação da criança foi possível avançar na investigação sobre o que teria ocorrido com a criança encontrada no Lago.
No domingo, um homem que pilotava uma moto aquática encontrou o bebê com uma calça moletom, uma blusa regata e uma chupeta azul presa ao corpo, próximo à Península dos Ministros, na QL 12 do Lago Sul. O Corpo de Bombeiros foi chamado e tentou reanimá-lo, mas não foi possível fazer mais nada. A estimativa era que ele já estava na água há várias horas.
Saiba mais
- Mesmo com a investigação da Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros desde domingo faz buscas para tentar encontrar outro corpo próximo ao local onde o menino foi visto, na Península dos Ministros.
- A possibilidade é encontrar a mãe, já que, se ela se jogou e se afogou, o corpo de um adulto começa a flutuar em até 72 horas. As rondas são feitas de duas em duas horas por equipes com barco e mergulhadores.
Elizângela dos Santos Carvalho está desaparecida desde a sexta-feira passada, quando saiu com os dois filhos por volta das 12h, dizendo que iria ao shopping. Porém, como não voltou nem deu mais notícias, a família se preocupou e registrou boletim de ocorrência na delegacia de Santa Maria alegando o desaparecimento e pedindo a investigação.
Uma irmã de Elizângela chegou a postar no Facebook o aviso do sumiço e a preocupação com o que tinha ocorrido com a mulher. Depois disso, no sábado, quase à meia-noite, a criança de quatro anos foi deixada próxima à casa onde Elizângela morava com os filhos e os sogros, em Santa Maria. Segundo a alegação dos familiares, a criança estava muito chorosa e teria dito que a mãe o deixou lá, mas ninguém conseguiu encontrar a mulher.
Mulher “tranquila, amorosa e prestativa”
A desaparecida morava com os sogros desde o nascimento do primeiro filho, mesmo separada do marido. Ela estava desempregada, mas recebia toda ajuda necessária dos familiares do homem. O JBr. entrou em contato com a irmã de Elizângela, mas ela não quis entrevista. O mesmo ocorreu com os pais do marido, que preferiram não se pronunciar. Eles estão com o irmão de quatro anos de Miguel, que, durante o tempo que a reportagem estava lá, brincava sem entender a crise.
De acordo com a Polícia Civil, ontem, vários depoimentos foram tomados e hoje as buscas à Elizângela continuam. A tentativa é saber se a mulher jogou Miguel na água e fugiu ou se pulou junto a ele. É preciso encontrá-la para entender a dinâmica do que ocorreu.

Criança foi deixada na porta de casa e está aos cuidados de familiares. Foto: Kléber Lima
Um conhecido da família, que pediu para não se identificar, ficou surpreso com as revelações sobre o caso, pois garante que a mulher era “tranquila e super gente boa” e sempre prestativa quando precisavam dela. Ele lembra que, quando Elizângela trabalhou em um mercado próximo à casa onde morava, todo mundo a conhecia pelo bom serviço. Atualmente, ela não trabalhava, até devido a gravidez, mas era auxiliada pelos sogros, que, segundo o homem, estão desolados com a perda do neto.
Para ele, “foi um ataque” o que ocorreu com Elizângela, pois ela era muito carinhosa e amava os filhos e o ex-marido – que está em outro relacionamento. Ela nunca teria apresentado comportamento a ser reprovado. O homem pensou que a mulher só estaria desaparecida e só hoje entendeu a gravidade do que tinha ocorrido.