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Brasília

Apoio presencial nas buscas por Artur Paschoali desaparecido no Peru é suspenso pelo Itamaraty

Arquivo Geral

09/03/2013 15h47

Da Redação, com agências

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Em decisão oficial, o Itamaraty informou que a partir hoje, está suspenso o apoio presencial nas buscas pelo brasiliense Artur Paschoali, estudante de cinema, desaparecido no Peru desde 21 de dezembro, quando saiu para tirar fotos da região de Machu Picchu, no Peru. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a decisão foi tomada por questões de segurança e outras necessidades, nas quais foi identificada certa dificuldade para manter servidores da pasta no local. Desde o início, o órgão mantinha presença constante de funcionários no distrito de Santa Tereza, próximo a região onde Arthur desapareceu. Apesar da decisão, o Itamaraty garante que continuará prestando apoio à família.

 

Os pais de Artur já teriam gastado mais de R$ 30 mil desde que viajaram para a região para acompanhar de perto o andamento das buscas. Sobreturo, o casal não pretende voltar ao Brasil sem antes encontrar o jovem. Após a decisão do órgão, amigos e parentes do estudante organizam um eventopara arrecadar funndos e contribuir nas despesas da família no Peru. A Tarde de Tortas, acontecerá no dia 24 e toda a renda será enviada para os pais de Artur Paschoali. 

 

CARTA

Inconformados, os pais de Artur divulgaram uma carta aberta revelando estarem preocupados com o andamento das investigações que estão sendo conduzidas pelas autoridades peruanas sobre o sumiço que hoje completa 77 dias.

 

As autoridades locais consideram a possibilidade de ele ter sido vítima de algum crime, porém não há qualquer pista sobre o paradeiro e nem sinais que remetam a algum tipo de violência. Os pais de Artur lamentam ainda que as buscas estão cada vez mais raras e que o trabalho de investigação que antes era conduzido por cinco policiais, agora é feito apenas por dois homens.

 

Leia abaixo a íntegra da carta: 

 

“Aos familiares, amigos e profissionais da mídia:

 

Desde o início de nossa estadia no Peru, em nenhum momento perdemos nossas esperanças de encontrar nosso filho Artur com vida.

 

Em todo o mês de fevereiro, esse sentimento se intensificou muito, pois a atuação das duas equipes de investigação enviadas a Santa Teresa, DIRINCRI (Divisão de Criminalística) e DIRIN (Divisão de Inteligência), foi muito significativa, passando-nos segurança e otimismo pela firmeza e responsabilidade com que executaram seu trabalho.

 

Porém, no início do mês de março, apesar de todos os esforços nossos e da Embaixada do Brasil, infelizmente não logramos garantir a permanência desse grupo em Santa Teresa, mesmo após comunicação direta com o Ministro do Interior do Peru.

 

Desde o dia 02 de março deste ano, já não estamos mais contando com ninguém da equipe da DIRINCRI aqui em Santa Teresa. A equipe da DIRIN, por sua vez, foi reduzida de cinco policiais para apenas dois.

 

Vale salientar que o desaparecimento do Artur foi registrado na Delegacia de Santa Teresa no dia 22 de dezembro de 2012 e que até o dia 02 de janeiro de 2013, dia de nossa chegada—12 (doze) dias após seu desaparecimento—, a Embaixada do Brasil ainda não havia sido informada do ocorrido por parte das autoridades peruanas.

 

Já na primeira quinzena de janeiro, ocorreram fatos significativos, acrescidos de informações da população local, de que não se tratava de um simples desaparecimento, mas sim de um possível crime. Nós declaramos isto oficialmente à Fiscalia de Quillabamba (promotoria do município), expondo nossas vidas, certos de que isto poderia dar um novo rumo às investigações. Lamentavelmente, o mesmo não ocorreu.

 

Faz-se importante esclarecer que durante todo o mês de janeiro, nós (funcionários da Embaixada, Wanderlan e eu) efetuamos imensos esforços junto à Fiscalia de Quillabamba com vistas a dar continuidade à investigação, pois percebemos, de uma forma implícita, um certo desinteresse junto ao caso por parte daquela instituição. Não foram poucas as vezes em que nos deslocamos até aquela cidade em busca de informações sobre o processo, sem sucesso algum.

 

Suspeitamos que a aparente falta de harmonia durante a passagem de direção das equipes especializadas (o que ocorre mensalmente) vem interferindo na fluidez e eficiência das investigações. A evidente falta de coordenação durante essas trocas de equipe tem feito com que informações sejam perdidas, comprometendo as investigações e frustrando todos aqueles que estão assistindo de perto, especialmente quando considerados os recursos financeiros que estão sendo disponibilizados pelos dois países.

 

Em face deste relato, temos a nítida impressão de que, gradativamente, o desaparecimento do Artur está sendo colocado em segundo plano, fato este que, mesmo que compreensível devido ao tempo decorrido, para nós, pais, é inconcebível.

 

Para aumentar nossa preocupação, esta semana recebemos um comunicado do Itamaraty informando que a Embaixada não seguirá dando o apoio presencial após o dia 09 de março de 2013.

 

Temos a certeza de que nossa insatisfação do quadro atual é a mesma de todos os quase 13.000 novos irmãos e amigos que adquirimos através do grupo VAMOS ACHAR O ARTUR.

 

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas nesta busca incessante, jamais nos quedamos ante às vicissitudes, pois temos a perfeita convicção de que Deus, nosso Pai Maior, em nenhum momento se afastou de nós.”

 

Susana Paschoali e Wanderlan Vieira

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