Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília
Ir para o bar, tomar uma cerveja e voltar com o próprio carro. Parece seguro? Só se houver outro motorista. O James, um aplicativo baseado nesse princípio, entrará em operação aqui em Brasília dentro de três meses. Depois de chamar o serviço, o cliente será conduzido por um motorista altamente qualificado até em casa, evitando blitze e acidentes. Tudo isso será oferecido a um custo próximo aos aplicativos de transporte mais utilizados.
Apenas no Distrito Federal, 15 mil condutores são autuados por embriaguez a cada ano, o que significa 75 teimosos pegos todos os dias por Detran e DER. As mortes também são um número expressivo: foram 392 só no ano passado.
Foram dois casos de amigos que motivaram os sócios da start up U Move a pensarem em uma forma de evitar mais ocorrências. Proporcionar alternativas à mistura álcool e direção foi o principal objetivo. Para isso, serão oferecidos os serviços de motoristas com nível superior, bilíngues e uniformizados com quepe e terno.
Ponto de Vista
A comparação entre o primeiro semestre de 2016 e o mesmo período desse ano mostrou um aumento de 65% no número de autuações a motoristas embriagados. Mas a melhor notícia foi a diminuição de 40% no número de mortos no trânsito. Para o diretor do Detran, Silvain Fonseca, a persistência dos condutores em dirigirem embriagados é lamentável, mas já é possível notar uma mudança de mentalidade. “Pelo menos nos grandes eventos nós percebemos que as pessoas têm aderido aos aplicativos para evitar dirigir depois de beber. Infelizmente, há quem os utilize de má-fé, apesar de ser uma exceção. Autuamos uma pessoa que chamou o serviço apenas para passar de uma blitz, com o motorista profissional dirigindo o veículo do suspeito”, contou.
“A vantagem do nosso produto é a liberdade de estar com seu carro, sem ficar com medo de blitz e sem ter que pagar por duas corridas, na ida e na volta. Teremos uma logística muito eficiente que vai deixar o serviço acessível”, afirmou Filipe Valente, um dos sócios da start up.
A promessa é que cada corrida do James poderá ser apenas 10% mais cara do que os valores cobrados pelo Uber X, por exemplo. Por questões estratégicas, a logística de deslocamento dos motoristas ainda é mantida em segredo.
No início da operação, o principal alvo será o público frequentador de bares, mas pessoas que não possam dirigir por outros motivos, como saúde, também poderão contratar o serviço. “Mesmo aqueles que não queiram contratar um motorista particular e arcar com os impostos e a contratação por CLT poderão usar o nosso aplicativo e pagar por viagem”, explicou Valente.
Teste agrada
Um teste foi realizado na 408 Norte e os relatos foram positivos. Entre a quinta-feira e o sábado passados, 31 pessoas experimentaram o serviço. Em parceria com o bar Pinella, a start up mostrou aos clientes uma nova forma de voltar do lazer.
“O Pinella é super a favor da inovação. No nosso segmento, é um serviço que traz consciência e deixa os clientes satisfeitos pela qualidade e inovação. É importante estarmos associados a ações que promovem responsabilidade”, opinou Flávia Attuch, uma das sócias do bar.
Clientes de outros bares da 408 Norte também foram atendidos. A empresa garante ter recebido 100% de boas avaliações.