Apesar de a assembleia do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) ter decidido por paralisação, pelo menos até sexta-feira, muitos profissionais não aderiram ao movimento. Os motivos são diversos. Não prejudicar os alunos, necessidades financeiras e reposição de aulas aos fins de semana estão entre os principais.
Na Escola Classe 31 de Ceilândia, apenas quatro dos 36 professores aderiram à greve. O funcionamento da unidade foi reduzido em duas horas a menos por turno. Segundo a diretora Maria Aparecida, a decisão de paralisar ou não fica a critério de cada professor. “Alguns já anunciaram que também vão entrar de greve amanhã (hoje). No entanto, como a maior parte optou por trabalhar, a direção precisa apoiá-los. Além disso, não queremos prejudicar os alunos”, diz.
Mas a diretora apoia o movimento grevista. “Estamos sendo prejudicados não só pelo salário como pedagogicamente. Antes tínhamos dois coordenadores, agora perdemos um e o outro só será autorizado a assumir a função, se for, no segundo semestre. É muito complicado para a direção ficar sem coordenação”, reclama.
Reposição
A professora Arlete Santana, do 4º ano, optou por trabalhar. Ela explica que não teria disponibilidade para fazer a reposição aos finais de semana, como normalmente ocorre após as paralisações. “Além do mais, preciso do dinheiro”, afirma.
Marinalva Francisca é professora do 3º ano e também não aderiu ao movimento grevista. “Repor aula para alunos do ensino infantil é muito complicado. Para os do Ensino Médio podemos passar trabalhos, pesquisas, atividades esportivas, mas para as crianças aulas integralmente presenciais são necessárias”, esclarece.
Um professor do Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas diz que em sua escola, por outro lado, a adesão está grande. “Nós até mapeamos os “fura-greve”. São quatro professores em um universo de mais de 100”, destaca.
“A luta é por nós, mas não posso parar”
Na Escola Classe 6 do Guará, apenas dois dos 26 professores estão de greve. E em Ceilândia, uma professora conta que em sua escola muitos profissionais não estão participando da paralisação. “Não é que eu não concorde com a greve, pelo contrário, essa luta é por nós e para nós, mas não posso parar. Dou reforço escolar aos fins de semana e se tiver que repor aula, perco um bom dinheiro”, lamenta.
Sobre a não adesão de parte da categoria, Rosilene Corrêa, do Sinpro-DF, classifica como “natural”. “Já era esperado que não tivéssemos uma adesão de 100%”, disse.
Pais
E, enquanto as aulas não voltam, pais se desdobram para ficar com as crianças. A secretária Fernanda Carvalho, 35, precisa deixar os filhos pequenos com a filha mais velha ou com o avô para trabalhar.
Já a pedagoga Silvana Kronemberger, 31, encontrou um jeito diferente de entreter os filhos: ela os colocou em uma academia de ginástica. “É bem mais barato do que uma escola particular. Eles entram 14h e saem às 18h. Fazem circo, balé, dança rítmica, futsal, natação, judô”, conta.
O presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa), Luis Claudio Megiorin, afirmou que “não dá mais para exigir paciência e sacrifício de pais, alunos e professores”. “Os pais e alunos querem ensino de qualidade. Os professores exigem melhores condições de trabalho e agora, com razão, o pagamento das verbas sem atraso”, cita.