Soraya Sobreira
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De um total de 360 mil famílias do Novo Cadastro da Habitação, somente cem mil podem criar expectativa nos próximos dois anos a respeito da realização do sonho da casa própria por meio de auxílio do governo. Esta é a quantidade de lançamentos de unidades previstas para serem entregues até 2014 pelo GDF. O cadastro inclui famílias que aguardam há 30 anos por um lugar para morar.
Depois das reformulações, em 2011, os interessados em comprar uma casa que já vinham de outras listas tiveram que atualizar seus dados. “Mesmo com o recadastramento, o tempo não foi perdido e, aliás, foi computado. É, inclusive, um dos critérios de desempate”, informa Luciano Queiroga, diretor presidente da Companhia de Habitação (Codhab).
Desde a implementação do programa, somente 50 mil pessoas foram convocadas. Ou seja, tiveram seus nomes divulgados para apresentação da documentação. E apenas 13 mil finalizaram o processo. “Não é que as pessoas estão mentindo nas informações, 97% são aprovados quando passam por nós. Muitas vezes, elas são barradas em outras etapas, como no banco”, justifica Queiroga.
O jardineiro Geraldo Barbosa, 51 anos, nasceu em Brasília e lamenta nunca ter tido condições de comprar uma casa. Com renda mensal de R$ 700 e três filhos para criar, ele não desiste de esperar. “Tem pelo menos 25 anos que me inscrevo nos programas, e até agora não tive nada de concreto”, lamenta. Criado em um orfanato, Geraldo alimenta a esperança de conseguir um lar fixo, já que ele sempre morou de aluguel: “É um sonho que vou lutar até o fim para conseguir”.
Ele conta que foi convocado em abril último, mas como a mulher não estava no DF, ele demorou para entregar os documentos com a assinatura dela, e foi inabilitado. O jardineiro registrou queixa na Sedhab, e aguarda um retorno