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Brasília

Aparelhos ficam obsoletos, mas ainda estão atuais

Arquivo Geral

03/03/2013 9h00

Carla Rodrigues

Especial para o Jornal de Brasília

 

Eles conseguem manter viva uma antiga tradição: escrever cartas à mão. Saudosistas, preferem redigir textos de punho próprio, deixando as novas tecnologias, rápidas e sem maiores esforços, de lado. Há ainda aqueles que optam pelas máquinas datilográficas, instrumento raro, que virou artigo para colecionadores. “Acho mais econômico utilizar a máquina de escrever. Além disso, tem o problema da queda de luz, que é facilmente resolvido com a máquina”, justifica o professor do Ensino Fundamental Emanuel Lima, 57 anos. 

 

Membro da Academia de Letras de Taguatinga, Emanuel garante que a instantaneidade das correspondências via e-mail ou redes sociais não o atrai. “Sempre gostei de coisas antigas, de hábitos antigos”. Por isso, assegura, seus dez livros publicados foram escritos na antiga máquina da marca Olivetti. 

 

Mas não é só de livros e do barulho das teclas das datilográficas que o professor gosta. Ele conserva vivo um outro hábito: o de escrever e enviar cartões postais. Entretanto, o mais curioso é que não manda só para conhecidos. “Muitas vezes, escolho aleatoriamente uma pessoa que enviou uma carta para algum jornal e começo a trocar correspondências com ela”, informou.

 

Cartão salvador  

Foi trocando cartas, conta o professor, que ele conseguiu salvar uma vida. “ Um rapaz que estava pensando em suicidar mudou de ideia quando recebeu meu cartão-postal de Natal”, orgulha-se. 

 

Foi por opção e ausência de necessidade que o aposentado Domingos Sávio de Arruda, 73 anos, optou por ficar afastado dos novos meios tecnológicos de comunicação. Ele conta que em 1991, justamente quando o hábito de ir aos Correios começou a desaparecer, ele caiu nos encantos das cartas. “Eu havia acabado de me aposentar e não tinha mais ninguém para repreender minha opinião. Foi então que comecei a mandar para os jornais  a ideia que tenho sobre os mais variados temas,” disse.

 

O aposentado prefere redigir textos e cartas à mão. “Tudo que escrevo parte de um rascunho de próprio punho. Só depois, eu passo para a  minha máquina Remington”. O aposentado esclarece que não é um dinossauro. “Não sou avesso às novas tecnologias. Não me habituei porque não tive necessidade”, garantiu.

 

Fãs de todas as idades

Para o reparador de periféricos Maurizio Rodrigues, 57 anos,  a tendência é de que máquinas de escrever e outros objetos antigos não desapareçam. Pelo menos, não no que depender dos seus clientes. “Ainda tem que use e goste mesmo. Não existe bem um perfil para quem ainda prefere escrever nas antigas máquinas”. Ele conta ainda que, de vez em quando, alguns jovens batem na porta de sua loja, no Conic, portando os mais antigos aparelhos de escrever.  “Às vezes, as pessoas têm um apego sentimental por essas peças. Muitas dessas máquinas antigas são consideradas verdadeiras relíquias”, afirmou. 

 

Maurizio garante que no DF é um dos poucos que sabe consertar aparelhos desse tipo. “Você sabia que a primeira máquina de escrever do Brasil foi inventada por um padre brasileiro?”, pergunta. Contudo, ele garante: “Uso computador sim. Não quis ficar para trás”.

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