Soraya Sobreira
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O passeio de fim de semana no Zoológico de Brasília conta com mais um atrativo. É a anta Leroy, que ficou conhecida em meio a uma tragédia ao ser atacada por cães selvagens. Por enquanto, o animal pode receber o carinho dos visitadores. Isso porque, assim que receber alta, a anta deve ser devolvida para o Parque Nacional de Brasília, seu habitat natural.
Leroy, que é macho, foi encaminhado ao Hospital Veterinário do Zoológico para receber o tratamento por quase um mês. Porém, a rápida recuperação demonstrou a vontade de sobreviver, mesmo sendo de idade avançada. De acordo com o biólogo e diretor do Departamento de Mamíferos do Zoológico de Brasília, Tiago Carpi, o animal já consegue caminhar, embora ainda manque, portanto foi colocado em um recinto onde tem condições de melhorar sua locomoção. “A intenção não é expor, mas o ambiente é feito especificamente para as antas, então funciona como uma fisioterapia. Apresenta características que contribuem para o desenvolvimento dele: o chão é macio, ele pode entrar no tanque de água e se exercitar por conta própria, ou seja, estimula o animal a reagir”, avalia.
Durante o tratamento, Leroy recebeu muitas massagens com produtos relaxantes musculares. “Tem 15 dias que resolvemos trazê-lo para este ambiente, recebendo, inclusive, uma alimentação reforçada. Além do capim, há também legumes e ração na dieta”, conta Carpi. Desde que a anta chegou ao Zoo, ela se mostrou muito dócil, apesar de sua natureza selvagem.
O casal Wender da Costa, 38 anos, motorista, e Sayonara Dias, 22 anos, auxiliar de serviços gerais, levou o filho Yan Lucas, de dois anos, pela primeira vez ao Zoológico. A família acompanhou a história de Leroy pelos noticiários e demonstrou felicidade ao ver o animal recuperado. “Foi um caso que sensibilizou muito devido ao estado em que ele se encontrava, mas é muito bom ver que está bem”, fiz Wender.
Apoio e carinho dos visitantes
O menino Pedro, de cinco anos, filho do bancário Leandro Carvalho, 31 anos, e de Andressa Félix, 23 anos, acha as antas lindas. “Gostei muito delas”, afirmou. O pai disse que ficou sabendo do caso da anta pelo rádio. “É muito bacana saber que está tudo bem. E, pelo que dá para ver, Leroy me parece ser muito dócil. Espero que ele consiga se recuperar totalmente para assim voltar para o seu lugar de origem”, diz Leandro.
Preservação
Nesse sentido, o Zoológico também faz um trabalho de conservação e pesquisa, o que contribui para preservação de animais ameaçados de extinção, em parceria com entidades como a Universidade de Brasília (UnB), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Instituto Federal de Educação Teológica (IFTB).
A equipe encaminha amostras genéticas de todo animal que morre no Zoo à Embrapa a fim de manter um banco de animais silvestres. O material é congelado e armazenado.
Memória
Em outubro, a anta foi batizada com o nome de Leroy por causa da loja Leroy Merlin, localizada perto de onde ela foi encontrada, nas proximidades da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia).
O animal foi localizado com ferimentos graves nas patas traseiras, virilha e interior das coxas. Assim, a Polícia Ambiental e a direção do Parque Nacional solicitaram ao Zoológico apoio no resgate e tratamento.
Depois de iniciado o tratamento, surgiu um abscesso na pata – uma acumulação de pus –, causado pelas mordidas dos cachorros. A urina de Leroy também ficou escura e ele apresentou um quadro de lesão muscular oriundo da mordida e do estresse que sofreu.
O Zoológico possui uma área de 139 hectares. Destes, 12 são destinados para a produção de alimentos para os animais. No restante do espaço, estão distribuídos os recintos de animais, playgrounds, lagos artificiais e áreas de passeio, entre outros.