As 120 mil pessoas que passaram pela Esplanada dos Ministérios nos dois dias de comemoração do 53º aniversário de Brasília puderam conferir música para todos os gostos. Samba, rap, rock, reggae e MPB foram alguns dos estilos que passaram pelos dois palcos localizados na Esplanada dos Ministérios: o palco principal, em frente ao Congresso Nacional, e a Tenda da Juventude, no Complexo Cultural da República.
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, também contemplou a festa. Para ele, a celebração só foi completa porque contou com a participação direta da juventude do DF. “Pela primeira vez nós estamos dedicando um aniversário à juventude, e não só oferecendo uma programação especial, como também construindo com eles. Toda a Praça Ibero-americana da Juventude, os equipamentos, as modalidades, foi construída com eles, com os próprios artistas, com os grupos da cidade, e isso está fazendo a diferença nesse aniversário”, afirmou.
No sábado (20), o grupo carioca Fundo de Quintal apresentou o melhor do samba de raiz, animando os fãs brasilienses. “Hoje, a gente viu que no público tinha muito jovem participando ativamente desse momento cultural, de alegria e de descontração. Não foi Brasília que foi presenteada, quem foi presenteado foi o Fundo de Quintal por estar presente numa noite tão importante”, disse Bira Presidente, um dos fundadores do grupo.
A primeira noite de apresentações também teve reggae, com a banda brasiliense In Natura, que lançou seu terceiro disco naquela noite. A vocalista Izabella Rocha afirmou estar muito satisfeita em fazer parte desse momento, em que os músicos locais estão sendo mais valorizados. “Foi um grande presente, é uma satisfação maravilhosa poder tocar para o público brasiliense, na nossa cidade, ainda mais sabendo que nós fomos contemplados num edital que foi super democrático. Eu acho que é uma evolução da Secretaria de Cultura, a maneira com que se seleciona os artistas, porque, agora sim, estão valorizando os artistas da cidade, que são inúmeros. Brasília é um celeiro e tem uma efervescência cultural muito grande”, declarou.
Já na tenda da Juventude, o rock hardcore da banda Galinha Preta, do P. Sul (Ceilândia), foi uma das atrações da noite. O vocalista Frango Kaos elogiou a diversidade da Praça: “Eu dou parabéns para a organização por montar uma praça de skate, chamar o basquete de rua, chamar a atenção para a periferia, botar a periferia no centro do país, botar um graffitti aqui na frente do palco, chama bastante a atenção da galera. Quando você aumenta a cultura, você aumenta a consciência, quando você aumenta a consciência você abaixa a violência”.
Conexão São Paulo-Brasília
O rapper paulista Emicida também se apresentou no palco principal do sábado, e convidou três destaques do cenário musical brasiliense para o seu show: o grupo Ataque Beliz, a cantora Ellen Oléria e o rapper e embaixador da Praça Ibero-americana da Juventude GOG. “Estar aqui comemorando uma data tão importante para a cidade é importante não só para o Emicida, mas para a cultura Hip Hop em geral, para a música da periferia. Cantar num palco desse tamanho, com essa estrutura, nesse lugar, em frente ao Congresso, isso representa muita coisa, é uma conquista muito grande para o rap”, disse Emicida.
Anderson Benjamim, do Ataque Beliz, comemorou o fato de cantar no palco principal, pois esta é uma oportunidade do público brasiliense conhecer o trabalho do grupo, que já tem mais de 10 anos de estrada, além disso, elogiou a iniciativa de celebrar a juventude. “Acho legal essa construção, é preciso ter mais esse tipo de projeto relacionado à juventude, principalmente na parte cultural”, disse.
Nascida em Ceilândia, a cantora Ellen Oléria afirmou que o título de Capital Ibero-americana de Juventude tem “a cara” de Brasília, pois a cidade tem por característica reunir “diversas formas de representatividade”. “Um símbolo como esse integra, agrega, e significa a adesão dos espíritos numa direção só. Acho que, inclusive, chama a juventude brasiliense para se inteirar um pouco mais desses poderes, desses órgãos que Brasília sedia, do que a gente representa para o resto do país como PIB e como força dinâmica também, de renovação das cenas”, detalhou.
Como embaixador da Praça, o rapper GOG destacou o fato de que o título também concedeu a Brasília a capacidade de ser ponto de convergência do diálogo com a América Latina, e declarou estar muito feliz com o destaque dado ao Hip Hop na programação. “Fico muito feliz, ainda mais por conta do hip hop ter sido o estilo musical mais contemplado dessa festa, o que mostra uma certa evolução de percepção do que é cultura em Brasília, principalmente porque nós já fomos muitas vezes até alijados do processo. Os sensores, hoje, conseguem captar a nossa energia”, afirmou.
MPB, samba e hip hop
A primeira atração da noite de domingo (21), aniversário de Brasília, foi a cantora Maria Gadú. Com o por-do-sol como cenário e balões no horizonte, a jovem carioca apresentou em seu repertório clássicos de bandas como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. Ela explica que o amor à cidade vai além das obras arquitetônicas e de seus fãs. “É lindo chegar aqui e fazer música, sendo que 80% da minha referência musical vem de Brasília”. Segundo ela, a cidade merece o título de Capital Ibero-americana de Juventude: “É uma cidade jovem, que sim, merece esse título, e daqui a pouco ele vai acabar, porque Brasília vai durar e vai escrever a história”.
O grupo de artistas brasilienses Nós Negras veio em seguida, com o melhor da música afro-brasileira. Cris Maciel, uma das integrantes, falou da importância do samba ter seu espaço garantido no palco principal. “Tem muito jovem curtindo o samba, e, para a gente, representar essa galera toda que curte é uma grande honra. A gente está no centro da cidade, no palco principal, fazendo esse espetáculo para a galera, e a gente está muito feliz. É importante que a galera se conscientize de que samba também é cultura”, declarou.
A Tenda da Juventude fechou sua programação com o show do rapper Japão, do grupo Viela 17, de Ceilândia, que estava comemorando seus 40 anos de idade e 20 de carreira. Sob o título “20 de 40”, o show trouxe grandes nomes do rap nacional para o palco como Rappin Hood, MV Bill, X e DJ Rafa. “É uma satisfação poder estar junto com o meu mano Japão, celebrando o aniversário dele, da banda dele, e celebrar o aniversário de Brasília. É uma satisfação estar aqui, e estar vendo que essa festa está sendo monstra. Representantes do hip hop, do samba, do reggae, está bem legal”, afirmou Rappin Hood.
“Difícil ter uma recepção assim, é bom que os tempos estão mudando. Uma festa como essa, há um tempo atrás, dificilmente o rap estaria nela. Muito menos ainda fecharia essa festa. Eu frequento Brasília desde a época que as festas de rap só aconteciam na Ceilândia, às vezes, eram acompanhadas de violência dentro da própria festa, de batida policial, então, ver acontecer isso em praça pública, sem briga, sem guerra, sem nada, pô, vitória”, comemora MV Bill.
O anfitrião da casa falou sobre a satisfação de ver o Hip Hop tendo cada vez mais espaço nos eventos. “Para mim é uma satisfação muito grande. Primeiro é ter certeza de que o governo está abrindo a mente, de saber que o jovem está sendo atendido nos anseios do estilo de música que ele gosta. Queremos dizer que Brasília tem cultura, Brasília tem jovem, e ele está sendo respeitado através desse 53º aniversário de Brasília”, concluiu o rapper Japão.
O palco principal ainda contou com apresentações de Hamilton de Holanda, que convidou Milton Nascimento, Pedro Martins e a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, do grupo Teatro Mágico, os brasilienses do Nós no Bambu e encerrou toda a programação com Lenine.