Leandro Cipriano
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Uma das maiores tragédias ambientais ocorre todos os dias à margem das estradas. Animais silvestres e domésticos, ao tentarem atravessar as vias movimentadas, são atropelados por motoristas. No Distrito Federal, o Projeto Rodofauna, implementado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), busca monitorar as unidades de conservação ambiental próximas a estradas e mapear essa realidade. Entre fevereiro de 2010 e janeiro desse ano, já foram percorridos 20.654 quilômetros de rodovias no DF, e registrados 2.039 animais atropelados. No País, as estimativas apontam mais de 1,5 milhão de animais mortos por ano.
No levantamento do Ibram, foram encontradas 119 espécies de animais mortos – 109 silvestres e dez domésticos. Foram registradas três espécies atropeladas que constam na lista oficial de animais ameaçados de extinção. Entre elas, quatro lobos-guarás (Chrysocyon brachyurus), seis jaritatacas (Conepatus semistriatus) e um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).
Dos atropelados, 85,63% eram animais silvestres – 1.746 mortos. Um total de 1.192 deles eram aves (68,27%); 264 répteis (15,12%); 168 mamíferos (9,62%) e 122 anfíbios (6,98%). Os animais domésticos representaram 14,36% das mortes nas vias do DF, totalizando 293. Desses, os cães e gatos foram as maiores vítimas, com 123 e 112 registros, respectivamente. Juntos, os dois somaram 80,2% dos animais domésticos vitimados e 11,5% no total do registro feito pelo levantamento.
Medidas propostas
Segundo o biólogo e analista ambiental do Ibram Rodrigo Santos, a apuração feita pelo Rodofauna irá continuar à medida que comecem a ser implementadas novas ações para prevenir os impactos negativos na fauna. “A partir dos dados que encontramos, serão propostas medidas mitigadoras para esse levantamento”, explicou Santos.
O levantamento da Rodofauna é feito por dois biólogos, um veterinário, um geógrafo e um químico. Eles se alternam em um grupo de três para percorrer 140 quilômetros de rodovias, duas vezes por semana, em busca de corpos de animais. O monitoramento é feito nas unidades de conservação ambiental Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESEC-AE); Parque Nacional de Brasília (PNB); Reserva Ecológica (Recor) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília (JBB) e Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (Fal-UnB).
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