João Paulo Mariano
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A quase dois quilômetros do aeroporto de Patos de Minas (MG), a penúltima parada da viagem, um avião de pequeno porte caiu com cinco pessoas de uma família. Ninguém sobreviveu.
O piloto e dono da aeronave era Marcos Nogueira Chagas, 45. No veículo, ainda estavam a esposa dele, Carla Giannine Pereira Medina, 44, e os três filhos do casal, de 7, 10 e 13 anos. Ambos eram médicos radiologistas e trabalhavam em hospitais do DF.
A aeronave decolou de Brasília e seguiria para Varginha, no sul de Minas, após pousar em Patos. Familiares do casal moram nesta região.
O avião de matrícula PR- ZMZ é do modelo RV-10, ano 2013, do fabricante Flyer Industrial Aeronáutica Ltda. De acordo com o Registro Aeronáutico Brasília da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o veículo apresentava uma aeronavegabilidade normal, poderia fazer voos diurnos e adequado a viagens privadas e experimentais.
Ainda segundo o registro, a compra ou transferência teria sido feita ao dono, Marcos, em 11 de julho deste ano e tinha a capacidade máxima para três passageiros.

Casal morreu na queda de avião. Foto: Reprodução
O médico, que atuava no Hospital de Ceilândia, era um apaixonado pela aviação. Colega de trabalho, a médica Firma Amélia Lucena lembra que há pouco mais de um mês se encontrou com ele pela última vez. Além das conversas sobre análises radiográficas, um assunto foi justamente esse gosto por pilotar.
O servidor nunca se recusava a prestar um auxílio e era muito disposto a ajudar. “Ele estava chateado com algumas coisas da Secretaria de Saúde e me disse: ‘Agora, eu só quero saber de voar'”. A médica respondeu que morria de medo de avião, mas ele retrucou. “É o meio mais seguro”, teria dito o médico.
Após a confirmação das mortes, o HRC ficou de luto. “A esposa não trabalha conosco, mas eu conheço há mais de dez anos. Sempre prestativo e solícito. Vai fazer muita falta como profissional. O plantão de hoje (ontem) está em um clima de pesar. Está todo mundo de luto”, lamenta a médica Virgínia Pimentel. Ela diz que tudo que ocorreu foi muito triste, até porque voar era uma paixão dele.

Divulgação/Corpo de Bombeiros
Investigação
Ainda no domingo, a investigação para saber o que levou à tragédia se iniciou. Profissionais do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), foram a Patos de Minas.
“A ação inicial é o começo do processo de investigação e possui o objetivo de coletar dados: fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos”, afirmou a Força Aérea Brasileira, por nota.
Também em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES) disse ter recebido com pesar a notícia do falecimento dos médicos e seus filhos. “Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares ratificando nosso voto de pesar pela perda e agradecimentos ao trabalho prestado à Saúde Pública do DF”.