Soraya Sobreira
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Elas são alvo de muitas piadas. Algumas vezes são citadas como aquelas que atrapalham a relação, não querem perder os filhos, querem decidir como será suas vidas de casado e por aí vai. Claro, há sogras que são idolatradas por noras e genros. Mas há muitos que garantem que o fim do relacionamento teve um dedinho dela. Independentemente do motivo, elas são sempre alvo de comentários, para o bem ou para o mal.
Os números, porém, mostram que nem só de ódio se sustenta este relacionamento entre sogras, genros e noras. Pesquisa feita no Portal Clicabrasilia, do Grupo Jornal de Brasília, aponta que mais de 50% dos internautas se dão bem com a mãe de seus parceiros. Outros quase 10% destacaram ter altos e baixos nesta relação. A cabeleireira Sandreane Lima, 30 anos, está com a maioria. Ela garante que ama a sogra como se fosse uma mãe. “Há 11 anos tive a graça de Deus em conhecê-la”, reconhece. Ela conta que o segredo é a respeitar como se fosse realmente a sua progenitora.
E os almoços de domingo são revezados, ora na casa da nora ou da sogra. “Estou quase sempre aqui. Quanto mais perto eu a tenho, melhor. Sempre que preciso de conselhos ela me dá”, conta. Entretanto, Sandreane reconhece que a mãe do marido não pode ser invasiva. “A sogra tem que saber o momento certo de opinar”, explica. Lucimar Gomes, 51 anos, auxiliar de serviços gerais, também é só elogios para a nora. “É uma boa mãe, esposa e trabalhadora. Falo para meu filho dar valor porque ela é especial para nós”, afirma.
A antropóloga da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta considera que esse relacionamento pode ser explicada como uma construção de uma linha de hierarquia e afetividade, consolidada em uma relação familiar e que, por isso, permanece mesmo depois dos casamentos. “As mães tendem a continuar neste sentimento de posse”, ressalta.
Para ela, a mãe do marido de uma jovem, por exemplo, terá mais dificuldade de aceitação pela nora, assim como uma resistência da nora em relação a sogra. “Em geral, as sogras tendem a querer ensinar às jovens cuidar da casa, dos filhos e do casamento. Só que a jovem dá este atributo a sua mãe e não à sogra. É quase uma competição”, observa.