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Brasília

Alunos do ensino médio retornam às aulas nas escolas públicas do DF

No Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina-DF, completamente reformado, os sentimentos do primeiro dia foram de alívio e receios

Redação Jornal de Brasília

23/08/2021 19h36

Gabriel de Sousa
redacao@grupojbr.com

Após um ano e meio distantes das salas de aulas das escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal, os estudantes do ensino médio retornaram nesta segunda-feira (23) para as atividades presenciais nas instituições de ensino. A maioria dos jovens da última etapa da educação básica começarão a ser vacinados nas próximas semanas, com a ampliação da vacinação para os adolescentes sem comorbidades.

Durante esta terça-feira (24), a população com 17 anos poderá ir até os diversos postos de aplicação dos imunizantes espalhados pelo Distrito Federal. Da sexta-feira (20) até a esta segunda-feira (23), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal recebeu 57.100 doses da Coronavac, 47.000 doses da AstraZeneca e 28.058 doses da Pfizer-BioTech (que será utilizada nos adolescentes).

Segundo Nedma Guimarães, diretora do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina-DF, a volta às presenciais pode ser resumida com uma palavra específica: “esperança”. A gestora diz que várias expectativas estão sendo criadas durante o retorno. “Esperança em todos os sentidos, do aluno voltar, do aluno gostar, do professor se sentir bem né? A gente precisa acreditar e ter esperança, mas será um grande novo desafio”, afirma.

Nedma conta que o primeiro dia de retorno foi satisfatório, e ao mesmo tempo foi o marco inicial de diversos desafios que serão enfrentados pelo corpo docente da instituição.“É um misto de sentimentos. A gente nunca viveu essa situação antes. Hoje os meninos chegaram cedo e disseram para mim: ‘Que emoção poder voltar para a escola!’, e isso foi emocionante.”, afirma. Mas a professora alerta que há várias precauções: “Mas ao mesmo tempo é preocupante, pois ainda estamos reaprendendo a nos socializar .”

A gestora da escola acredita que o retorno presencial será “uma oportunidade de resgatar o valor da escola e também dos professores”

Na instituição pública de Planaltina, o período de educação à distância foi um período difícil não só para os alunos, como também para os professores. “Foram momentos angustiantes, momentos em que eu tive que acalmar vários professores. Muitos deles tiveram casos de ansiedade graves e entraram em licença médica. O trabalho remoto foi altamente desgastante, os alunos e os professores não tinham os conhecimentos tecnológicos. Então, a gente aprendeu a fazer uma escola que não existia.”, afirma Nedma.

Da esquerda para a direita: a professora Fabíola Neves, a estudante Nadja Cunha e a diretora da escola Nedma Guimarães

Reformas durante a pandemia

A escola fez diversas manutenções para receber os seus alunos após mais de 500 dias de aulas emergenciais. A principal reforma que a escola fez durante o tempo em que o corpo docente atuava de maneira remota foi a substituição das janelas. Antes, eram antigas janelas de ferro, agora, são janelas de vidro que aumentam a sensação de amplitude e que ajudam no arejamento das salas de aula. Além disso, os banheiros da escola receberam uma nova estilização e outros novos foram construídos. De acordo com a diretora, a quantidade total de sanitários aumentou de 4 para 10.

Nas instalações para a educação dos adolescentes, cadeiras novas foram colocadas junto com novos ar-condicionados e diversos mecanismos de álcool em gel estão espalhados pelo centro educacional. Além disso, a quadra de esportes foi totalmente reformulada, além da criação de novos espaços de convívio entre os jovens, como bancos e até mesmo uma nova e espaçosa biblioteca, que serão maciçamente utilizados após o término da pandemia de covid-19.

Cuidados com a interação social dos jovens

Para Andréia Neves, professora de biologia e coordenadora do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina, conter a animação dos adolescentes será uma tarefa à parte, além da elaboração das atividades educacionais. “É uma volta às aulas bem esperada, porque está todo mundo ansioso por conta da pandemia. A gente lida com adolescentes e a gente sabe que é difícil eles não se abraçarem, eles não aglomerarem”, conta.

Nedma Guimarães diz que o momento atual é “um retorno com várias incógnitas”, mas que pretende atender os jovens da melhor forma. A diretora diz que pelo o fato de que Planaltina  possui diversos casos confirmados da variante delta, mais regras sanitárias devem ser impostas aos frequentadores da instituição de ensino. “Eu vejo essa necessidade de estabelecer uma maior segurança, mais por conta dos contatos físicos e práticos. Por isso eu tenho insistido bastante com os alunos e os professores sobre a importância das restrições”, observa.

Nas salas de aula, o máximo de estudantes que poderão estudar ao mesmo tempo são 20 por turma. A gestão da instituição acredita que todo o restante de 2021 terá esse escalonamento híbrido das turmas como parte da rotina da escola.

Alunos ansiosos

“É muita emoção por estar voltando para o trabalho presencial”, é o que diz Fabíola Neves, professora da sala de recursos do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina que ficou durante todo o período de isolamento social educando os seus alunos por telas de computadores. 

Apesar da ânsia pelo retorno, a educadora diz que preferiria que a volta às aulas tivesse sido em um período futuro, por conta da ampliação da vacinação da população de 12 a 17 anos no Distrito Federal. “Seria um pouco mais interessante que o retorno tivesse sido mais para a frente, quando todo mundo estivesse imunizado, principalmente agora que estamos na faixa etária dos jovens e adolescentes”, reflete Fabíola.

Uma das suas alunas é Nadja Cunha, de 22 anos, estudante com deficiência educada em uma turma especial do Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina-DF. Alegre, a jovem diz que está muito feliz por ter a oportunidade de voltar à sua escola e disse com um sorriso atrás de sua máscara que espera que seja um ano letivo prazeroso e afirma ter ficado com saudades de todos os professores.

Segundo Nedma, os adolescentes com comorbidades não precisam retornar presencialmente à escola, e afirma que eles serão educados na melhor forma pela educação à distância. A diretora disse também que outros alunos da instituição não irão retornar às salas de aula. “São muitos alunos que não irão voltar. Alguns porque tiveram perdas irreparáveis. Outros pais perderam o emprego, e agora o estágio ou o trabalho informal que eles [estudantes] encontraram é o que sustentam as suas casas, e outros não irão voltar porque estão com medo”, conta a diretora.

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