Kamila Farias
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Muito choro e mudança de pensamentos e atitudes. Assim terminou o passeio de cerca de 300 alunos do colégio Galois ao Lixão da Estrutural. O que aconteceu foi um choque de realidade, meninos de classe alta, conhecendo o ganha pão de muitas famílias, que vem da catação de lixo. Os alunos, entre 11 e 14 anos, participaram da Saída Pedagógica, com o objetivo de observar, na prática, o que aprendem nas aulas, além de exercer a solidariedade, com doação de brinquedos, roupas, acessórios e guloseimas para as crianças da Associação Viver.
“O incrível foi descobrir que contribuo para a formação dessa montanha de lixo. A realidade é triste, fiquei pensativo. Agora, quero mudanças e começar a fazer coleta seletiva lá em casa. Os catadores contribuem para a nossa qualidade de vida, mas a gente não contribui para a deles. Outra coisa que me deixou animado foi doar esses presentes e ver tanta criança feliz”, conta Daniel Segalovich, 12 anos.
Para o diretor do Galois, Nei Vieira, a atividade tem o propósito de ampliar temas importantes estudados nas disciplinas de Português e Literatura (poesias de catadores de lixo e trabalho infantil), História e Geografia (Consumismo, Revolução Industrial, Capitalismo e o meio ambiente), Ciências Biológicas (chorume e seus efeitos) e Educação Bíblica (solidariedade).
Consumismo
“O objetivo também é provocar o impacto da realidade social. Eles são muito consumistas e queremos mostrar a quantidade de lixo que produzem. Na escola não existe mais copo descartável, eles têm que ter garrafinha, pois eram jogados fora mais de seis mil copos por dia. Estamos dando o exemplo, pois a sustentabilidade é o futuro deles”, afirmou o diretor.
Ao chegarem ao Lixão, os jovens se depararam com uma realidade diferente do dia a dia deles. Assustaram-se, fotografaram e fizeram muitas perguntas. Quem recebeu os alunos foi o presidente da Central das Cooperativas, Ronei Alves, que contou como funciona o processo de catação e reciclagem.
“São 2,5 toneladas de lixo doméstico por dia e isso é ruim, pois ele vem todo misturado. Separado é matéria prima. É fundamental que exista a coleta seletiva. Então, eles virem até aqui conhecer. É fabuloso, pois eles, com certeza, vão separar o lixo agora. Essa visita vai ficar marcada, pois é algo fora da realidade deles”, observa.
O estudante Rodrigo Dutra, 11 anos, diz que mudará suas atitudes. Não valorizava suas coisas e, agora, pretende ser uma pessoa melhor. “Não dava valor às minhas coisas. Ganhava, usava e jogava fora, sem pensar no que acontecia depois. Agora, estou vendo uma realidade diferente e isso está mudando minha mentalidade”, observa.
O estudante Gabriel Dourado, 11 anos, começará a adotar a coleta seletiva em casa: “Tinha visto o Lixão em fotos, mas aqui é impactante.”