Os estudantes que fazem parte do programa de intercambio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB e da Universidade Politécnica de Turim, na Itália, podem ser chamados de “os melhores da classe”. Alguns deles são tão talentosos que recebem apoio financeiro de instituições italianas para fazer a “graduação-sanduíche” no exterior. Porém, no Brasil, não há nenhuma bolsa de ensino para apoiar esses estudantes.
Com 11 anos de experiência em acordos internacionais, a professora da UnB Claudia Estrela anda preocupada com essa situação. “Apesar do programa ser excelente e beneficiar os alunos, é muito difícil a obtenção de bolsa de estudos nos órgãos de fomento brasileiros, como a Capes e o CNPq”, diz a professora.
Dos 17 alunos de arquitetura da UnB que fazem parte do curso em Turim, nove contam com apoio de recursos institucional italiana. Três deles recebem bolsa da Embaixada Italiana e os outros seis pela própria Universidade de Turim. Os outros oito alunos contam somente com o auxílio financeiro de seus pais.
O programa de dupla titulação para alunos de arquitetura é uma iniciativa da Universidade Politécnica de Turim. No Brasil, 11 universidades mantêm acordos dessa natureza com a instituição. Os estudantes selecionados para o intercâmbio recebem os dois diplomas: o de Turim e o brasileiro.
Alto Desempenho
Para a professora Claudia Estrela, a proposta de dupla titulação é para estudantes com muita base de ensino. “Os alunos brasileiros são rigorosamente escolhidos. Geralmente tiram as melhores notas em Turim”, diz a professora. Isabella Botelho é um desses exemplos. Há um ano estudando em Turim, ela se esforça para manter notas altas. “Minha vida social na Itália não é nem um pouco ativa”, diz a intercambista brasiliense.
No caso de Isabella não é apenas uma questão de compromisso com o curso. Bolsista da Universidade Politécnica de Turim, ela é obrigada a manter notas acima de 27 para continuar recebendo o apoio financeiro. A avaliação máxima dos professores da universidade italiana é 30. “Seria como tirar SS em todas as matérias”, explica a aluna.
As estudantes Ana Laterza e Emília Raphael foram recém-aprovadas para participar do programa. Para Ana, é um sonho antigo que se realiza. “Desde o começo do curso de arquitetura eu comecei a estudar italiano”, diz. No caso da manauara Emília, acostumada com mudanças, a experiência será a primeira longe dos pais. “Eu já morei em várias cidades. Mas vai ser a primeira vez que vou morar sozinha”, comenta.
Para a professora Cláudia Estrela, a UnB tem uma política de acordos internacionais incipiente. Ela acredita que é preciso criar mecanismos para dar contrapartida a iniciativas como a da Universidade Politécnica de Turim. “O apoio a políticas de intercambio deles é bastante consolidada. Eles têm um pró-reitor só para cuidar disso”, diz Cláudia.