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Brasília

Alunos constroem fogão solar na UnB

Arquivo Geral

24/06/2009 0h00

Esqueça o botijão de gás e a lenha. Com uma caixa de papelão, physician papel laminado e outros materiais descartáveis é possível montar um fogão. Um fogão solar. O modelo, uma espécie de estufa que usa a radiação do sol para aquecer, cozer ou desidratar alimentos, também respeita a natureza e economiza energia. Foi indicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma alternativa para populações carentes. Na Universidade de Brasília, professores da engenharia mecânica promoveram, na tarde desta terça-feira, competição entre alunos pelo fogão solar mais eficiente.


Quem olha os protótipos não dá muito valor. Mas aquelas caixas de papelão, carcaças de computador e gavetas velhas revestidas de papel laminado são, na verdade, eficientes fogões. Posicionadas estrategicamente na direção do sol, no gramado em frente à Faculdade de Tecnologia (FT), os cinco modelos desenvolvidos durante a disciplina Construção Mecânica 2 apresentavam um mecanismo básico comum. “A caixa deve ser revestida por uma superfície refletora e coberta com uma lâmina transparente para segurar o calor que entra com a luz do sol”, explicou o professor Flamínio Levy. 


Responsável pela disciplina, há três semestres ele desenvolve uma competição para estimular a criatividade dos alunos. “Trabalhamos com dois princípios: o uso de materiais recicláveis e a eficiência”, comentou ele, que dividiu a turma de 40 alunos em cinco grupos concorrentes. Cada equipe tinha que buscar a forma mais eficiente de construção. Ganha quem fizer o que atinge a maior temperatura ou o que mantém o calor por mais tempo. “É uma forma de apresentar uma solução simples e ambientalmente correta, pois não há emissão de gases poluentes”, ressaltou Levy.


Por volta das 14h30, os olhos dos estudantes do 5º e 6º semestres acompanhavam cada atualização do sensor de temperatura, conectado à cada fogão. Responsáveis pelo modelo que atingiu a maior temperatura, 84º C em cerca de 20 minutos, o grupo do aluno Luiz Felipe Serejo optou por fazer um cone revestido de papel alumínio. “Assim conseguimos isolar o vento e ter uma grande superfície refletora. Mas erramos ao colocar um plástico de baixa resistência para isolar o pote com água. Ele acabou derretendo”, observou ele, ao lado dos amigos. O projeto custou R$ 15.


Às 15h, uma nuvem indesejada na tarde de céu azul revelou o fogão solar mais bem construído para manter o calor captado. Em 5 minutos de sombra, a temperatura do produto desenvolvido pela equipe do estudante Julio Andrade caiu apenas 2º C. Os demais caíram, em média, 15º C. “Usamos uma camada de isopor ao redor do recipiente e uma placa pintada de preto para reter o calor”, comentou o estudante. Ele e os amigos gastaram R$ 30 na montagem do fogão, que atingiu a marca dos 77º C. O modelo mais barato, custou apenas R$ 2,50, o preço de um rolo de papel laminado.


Tecnologia Milenar
A eficiência do fogão solar já foi comprovada pelos professores da FT Flamínio e João Pimentel, parceiros na experiência com os alunos da UnB. “É possível cozinhar feijão arroz, legumes, desidratar frutas. Mas o processo leva, em média, duas horas a mais se comparado aos fogões tradicionais”, observou Pimenta. O engenheiro mecânico, que participou do experimento fornecendo o sistema que media a temperatura a cada segundo, ressalta que o fogão solar só funciona em dias ensolarados, típicos desta época do ano em Brasília. E o melhor horário para “ligar” o produto é entre as 10h e as 15h.


Bem antes dos experimentos na FT, no entanto, a tecnologia que aproveita a luz do sol para aquecer alimentos já fazia parte da rotina dos Essênios, grupo judaico que viveu há cerca de 2 mil anos. Eles já usavam pedras aquecidas pelo sol para deixar o pão quentinho e conservar nutrientes do trigo. Os fogões solares de hoje surgiram nos anos 1950, numa busca mundial por soluções pacíficas para o problema da fome e da matriz energética em meio ao contexto pós Segunda Guerra. Não à toa, a ONU conta com programas pra levar a tecnologia como uma alternativa para áreas inóspitas.

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