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Aluno de projeto social de futebol dribla dificuldades para treinar em Ceilândia

Com apenas dez anos, ele acorda cedo, encara longas viagens de ônibus, divide o tempo entre estudos, treinos e cuidados com o irmão. E mantém o sonho de mudar o futuro através do esporte

Redação Jornal de Brasília

03/09/2025 18h32

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Mesmo com todas as dificuldades, Brayan segue firme com a paixão pelo futebol | Foto: Divulgação/Administração Regional de Ceilândia

Entre os mais de mil participantes do projeto Futebol e Cidadania, em Ceilândia, uma história em especial chama a atenção e emociona. Aos 10 anos, Brayan Lyan Sodré Siqueira demonstra que dedicação e esforço não têm idade. Morador de Santo Antônio do Descoberto, ele inicia o dia ainda cedo, às 6h, para ir à escola, e só retorna para casa por volta de 12h30, conciliando estudo e esporte em uma rotina marcada por disciplina e determinação.

Brayan mal tem tempo para almoçar, pois precisa se apressar para pegar o ônibus em direção à base do Ceilândia, onde treina futebol. Muitas vezes, o almoço ocorre dentro do próprio coletivo, no caminho para o treino. Quando o pai consegue levá-lo, o trajeto se torna mais leve – mas, como ele precisa trabalhar, nem sempre isso é possível. Na maioria das vezes, a mãe acompanha o garoto e o irmãozinho, Lorenzo, uma criança alegre diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA). Nos dias de treino, Brayan só retorna para casa por volta das 19h. Ainda precisa fazer as tarefas da escola, tomar banho, jantar e descansar para repetir a rotina no dia seguinte.

Mesmo com todas essas dificuldades, o menino não perde o brilho nos olhos. O futebol é a sua maior paixão; e, dentro de campo, ele se sente completo, como se toda dedicação fizesse sentido. O esforço não é apenas pelo amor ao futebol, mas também pela esperança de um futuro melhor. Brayan ajuda nos cuidados com o irmão mais novo e carrega no coração o desejo de dar orgulho à família. “Cada vez que pego o ônibus para chegar ao treino, penso que é um passo em direção a um futuro diferente. Quero ser exemplo para o meu irmão e mostrar para minha mãe que todo o esforço dela vale a pena”, diz.

A mãe, a dona de casa Thaise Sodré, acompanha de perto cada passo do filho e se orgulha da disciplina e da garra que ele demonstra tão cedo. Para ela, não é fácil ver o menino enfrentar uma rotina tão puxada, mas cada treino, cada sacrifício e cada superação reforçam a certeza de que o esforço vale a pena. “Ele não mede esforços para correr atrás dos sonhos. Mesmo com todas as dificuldades, nunca deixou de acreditar. Tenho muito orgulho dele”, diz, esperançosa.

A história de Brayan é mais do que um retrato de superação individual; é também um exemplo de esperança para centenas de jovens da periferia que participam do projeto. Em meio a tantas barreiras sociais e econômicas, o esporte surge como ponte para oportunidades e transformação de vidas e que a esperança pode vencer a distância e as barreiras do dia a dia.

Para o coordenador do projeto, Marcelo Rodrigues, histórias como a de Brayan dão sentido ao trabalho. “Mais do que formar atletas, queremos formar cidadãos. Cada criança que passa por aqui carrega sonhos e esperanças, e nossa missão é apoiá-las em cada passo dessa caminhada”, afirma Marcelo.

Projeto

O projeto social tem apoio da Administração Regional de Ceilândia, e entrega gratuitamente kits de treino, chuteiras, porta-chuteiras e acompanhamento técnico. Além do incentivo esportivo, a iniciativa oferece cidadania, disciplina e oportunidade para jovens que, muitas vezes, encontram no futebol uma forma de superar as barreiras sociais.

Com informações da Agência Brasília

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