O Dia Nacional da Matemática, celebrado em 6 de agosto em homenagem ao escritor e educador Malba Tahan, destaca como a disciplina pode ser encantadora. Alunas da rede pública de ensino do Distrito Federal transformaram o temor pela matemática em paixão e conquistas em olimpíadas científicas, como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 213, de Santa Maria, o projeto Vamos Estudar Matemática (VEM), coordenado pelo professor Leonardo Gonçalves Martins desde 2015, desperta interesse pela área de exatas e incentiva a participação em competições. Rafaela Iasmin Sampaio Castro, 13 anos, aluna do 8º ano, superou dificuldades iniciais e conquistou bronze nacional e prata regional na OBMEP no sexto ano, seguido de prata nacional e ouro regional no ano seguinte pelo VEM. Ela planeja seguir na área de exatas e se tornar professora.
Maria Clara Pereira de Freitas, 14 anos, do CEF Polivalente, desenvolveu amor pela matemática na infância ao ajudar a irmã com a tabuada. Orientada pela professora Letícia Fiúsa, inscreveu-se em olimpíadas no sexto ano e sonha em estudar arquitetura ou engenharia. Já Emília Coelho Gunther, 14 anos, do CEF 102 Norte, demonstra facilidade com a matéria desde o maternal e obteve a segunda maior nota da escola na primeira fase da OBMEP no sexto ano, com orientação do professor Rodolfo Ferreira. Ela destaca a influência da professora Rafaela Cordeiro, uma referência feminina na área.
Em Ceilândia, a Escola Classe (EC) 64 é destaque por sua Sala de Recursos Específica (SRE) para alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), sob orientação do professor Marlon Santos. Emily Súzany dos Santos Nogueira, 15 anos, do 1º ano do ensino médio, ingressou na SRE aos 8 anos após identificação de talento pela professora Daniela Leal e acumulou medalhas, embora sinta falta de mais presença feminina. Seu projeto anterior homenageou mulheres históricas na matemática, com o objetivo de inspirar outras meninas. A irmã dela, Ellen Ayla dos Santos Nogueira, 13 anos, entrou pela arte e se apaixonou pela matemática na SRE. Clara Luciana Brandão, 12 anos, do 7º ano, sempre achou a matéria fácil e pretende cursar medicina para ser pediatra.
Apesar do aumento na participação feminina em cursos de matemática, ciência e tecnologia, o universo permanece majoritariamente masculino. Dados da OBMEP de 2025 nas escolas públicas do DF mostram que as meninas representaram 47% dos premiados no Nível 1 (6º e 7º anos), caindo para 34% no Nível 2 (8º e 9º anos) e 31% no Nível 3 (ensino médio). O professor Geraldo Eustáquio Moreira, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília, explica que o medo da matemática é construído socialmente por frases como ‘isso não é pra mim’ ou ‘sou de humanas’, criando bloqueios. Ele defende mudar a forma de ensinar, valorizando o erro e conectando a disciplina à vida real, para fomentar curiosidade.
Essas trajetórias ilustram o impacto de projetos educacionais e referências femininas no desenvolvimento de talentos, promovendo um futuro promissor na área de exatas.