Com uma estiagem que chega ao nono dia, o Distrito Federal vem passando por um fenômeno incomum: a falta de chuvas em janeiro. As consequências se desdobram nos cuidados com a saúde no dia a dia, no consumo de energia e até no abastecimento da cidade, aponta especialista.
De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Manoel Rangel, há um bloqueio formado por uma grande massa de ar seco sobre grande parte do Brasil. “As regiões Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste têm sentido as consequências dessa massa, registrando altas temperaturas, queda na umidade e estiagem”, diz Rangel.
O especialista explica que esse fenômeno, o veranico, ocorre a partir do movimento dos ventos subsidentes, ou seja, de cima para baixo. “Esse movimento dificulta a formação de nuvens, já que dissipa a umidade que as formariam”, conta. A última chuva registrada no DF foi no dia 4 de janeiro.
Este quadro, segundo o meteorologista, deve durar pelo menos a próxima terça-feira. “A partir daí é provável que comece a ter chuvas em forma de pancadas durante o dia. A umidade volta a aumentar e a sensação de calor será mais amena”, completa Rangel.
Sensação térmica
O brasiliense já sofre com o aumento da temperatura. No Parque da Cidade, o termômetro marcava 35 ºC. Na verdade, esta era a sensação térmica, explica o Inmet. A temperatura máxima de ontem foi de 31 ºC. Situação que deve se repetir hoje.
O gerente comercial Laércio Margato, 51 anos, aumentou os cuidados para praticar exercícios físicos. “Venho bebendo mais água do que o normal e passado protetor regularmente”, diz.
Frequentador do Parque da Cidade, ele afirma que evita os horários de maior incidência dos raios solares, entre 10h e 17h. “Prefiro vir no começo da manhã ou no fim da tarde, quando o sol já abaixou. Isso é menos prejudicial”, acredita.
Mudança natural de hábito
Quem se mostra feliz com o tempo é o sorveteiro Carlos Stecanela, 56 anos. O comerciante diz que o aumento nas vendas é automático. “Os sabores que mais têm saído são chiclete com banana, morango e flocos. Temos que aproveitar a oportunidade”, comemora.
Em períodos de calor mais intenso, a bombeiro civil Sueli Pinheiro, 48 anos, muda a alimentação, optando por refeições mais leves e que contenham mais água. Outros hábitos também são alterados: “Tem sido impossível dormir sem um ventilador. Tenho usado constantemente em casa”, afirma.
A atitude de Sueli é “padrão”, lembra o professor do grupo de estudos ambientais da UnB, Gustavo Souto Maior. “Com o calor, há mais consumo de energia e de água. Essa tem sido uma questão delicada no DF”, alerta.
Souto ressalta que, nos últimos anos, com o aumento da população, o consumo de água no Distrito Federal aumentou, mas os meios de se obter água continuam os mesmos de décadas atrás. “Daqui para frente teremos períodos cada vez mais intensos. Isso demandará um consumo maior de água em períodos de calor, o que pode causar uma falta de água em um curto espaço de tempo. As pessoas precisam se conscientizar”, afirma.