Menu
Brasília

Almoxarifado está trancado há 90 dias

Arquivo Geral

10/06/2010 11h00

Um grosso cadeado dourado tranca os portões do almoxarifado da UnB há 90 dias. Resultado: falta papel, caneta, água e café no campus. Para não interromper as atividades acadêmicas e administrativas, professores e servidores que não aderiram à greve improvisam para driblar a escassez de materiais básicos. As estratégias vão da tradicional “vaquinha” ao voluntarismo, passando pelo empréstimo de produtos entre unidades e departamentos da universidade.

 

O Instituto de Ciências Exatas (IE) não recebe produtos do almoxarifado desde o início da greve, em 9 de março. A secretária executiva, Geórgia Brasil, conta que o Departamento de Estatística teve que usar verba própria para comprar materiais. “Dos itens que recebemos, só sobrou papel. As últimas canetas estão amarradas às mesas para evitar que sumam”, afirma. Geórgia explica que papel higiênico, café e copos descartáveis só existem no lugar graças ao esforço dos funcionários para dividir as despesas.

 

O assessor da Reitoria, Wilde José Pereira, confirma a escassez de materiais, inclusive, no prédio da administração. E afirma que a manutenção dos serviços ocorre apenas por conta do sistema de trocas e empréstimos. “Ainda não foi necessário comprar nada, mas tivemos de pedir algumas coisas emprestadas em outras unidades”, observa. Wilde destaca ainda que a administração enviou dois documentos ao Comando de Greve pedindo a liberação de materiais para a Reitoria. Ambos negados.

 

SÓ ÁGUA – Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação UnB (Sintfub), o lacre no depósito do almoxarifado é parcial. Mercadorias que chegaram após o fechamento permanecem acessíveis. “Está ocorrendo a liberação de itens que estão do lado de fora. Sabemos que a ação prejudica a universidade, mas greve é greve”, afirma Cosmo Balbino, coordenador-geral do Sintfub. Os grevistas prometem aumentar a fiscalização da saída de produtos do almoxarifado ainda nesta semana.

 

Por enquanto, só água sai do depósito. Mesmo assim, quem quiser matar a sede, tem que se dispor a ir ao local buscar os garrafões de 20 litros. Como é o caso do funcionário de apoio da Secretaria de Comunicação Márcio Moraes. “Os carros que traziam a água para cá estão parados na garagem. A gente conta com a boa vontade de algum funcionário para ir lá com a gente buscar”, conta o auxiliar. Com a falta de transporte, muitos departamentos e unidades dependem dos bebedouros.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado