Por Vítor Ventura
A alimentação pesou mais no bolso do brasiliense em maio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação em Brasília alcançou 0,63% no mês passado, influenciada pelo grupo de alimentação e bebidas. Foi um aumento de 0,47% em comparação a abril, mês em que a inflação ficou em 0,16% na capital. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (12).
Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados em Brasília apresentaram altas no IPCA de maio. O grupo que mais puxou o índice para cima no DF foi o de alimentação e bebidas, com alta de 1,36%, chegando a 3,41% no acumulado do ano. Os principais responsáveis por esse resultado foram as altas em refeição (0,90%); batata-inglesa (38,79%); tomate (10,39%); leite longa vida (4,50%) e lanche (0,80%).
O Jornal de Brasília conversou com o consumidor brasiliense e os dados do IBGE de fato mostram o que a maioria vê na hora das compras: os preços estão mais salgados. O professor Jair Welton, 57, foi um dos que relatou o aumento em alguns itens que para ele são indispensáveis em casa. “Com certeza deu para notar um pequeno aumento. Mas de pouco em pouco, acaba que no final vai aumentando muito. Aqui na feira eu percebi que o tomate e a batatinha foram os que mais subiram de preço”, comentou Jair.
Se os preços sobem, o professor disse que é preciso se virar para conseguir manter uma quantidade boa de alimentos. “Tudo isso vai pesando no final [do mês] e a gente tem que se desdobrar e às vezes até tirar de outros lugares. Comida tem que comprar, cortar gastos eu corto em outro lugar, como algum passeio ou algo que não seja tão necessário”, completou Jair. Para a aposentada Maria da Anunciação, 67, que também relatou o aumento dos preços de diversos alimentos, isso tem influenciado nas contas no final do mês.

“Inclusive a gente tem que diminuir a quantidade de produtos que a gente vem comprando. Por exemplo, se eu comprava 1kg de tomate, agora é meio quilo. Se era 1kg de batata, agora eu compro meio também. Então a gente vai apertando um pouco mais”, contou Maria. Ela também relatou que tem deixado de comprar alguns itens por conta do preço. “Por enquanto, eu não tenho muitas expectativas de que no mês que vem os preços irão diminuir”, concluiu. Segundo o IBGE, o IPCA em Brasília acumula uma alta de 4,11% em 12 meses.
Altas e quedas no IPCA
Não foi somente o grupo de alimentação e bebidas que puxou a inflação para cima na capital. Os grupos de habitação e saúde e cuidados também contribuíram para esse aumento. De acordo com o IBGE, no de habitação, a variação de 1,03% teve influência da energia elétrica residencial. Ela subiu 3,45% em maio e foi o principal impacto individual. No mês passado, estava vigente a bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos. Também puxaram a inflação do grupo de habitação para cima as altas em aluguel residencial (0,66%) e no gás de botijão (1,09%). No grupo de saúde e cuidados pessoais, cuja alta foi de 0,88%, sobressaíram as altas em plano de saúde (0,50%), perfume (4,11%) e hospitalização e cirurgia (1,55%).
Segundo o IBGE, o único grupo que puxou o IPCA para baixo na capital foi transportes, com leve queda de 0,09%. Passagem aérea (-1,53%), gasolina (-0,33%), seguro voluntário de veículo (-0,91%) e etanol (-10,77%) foram os principais responsáveis pelo resultado do grupo. No lado das altas, destaques para ônibus urbano (3,41% – dada a apropriação de gratuidades de tarifa aos domingos e feriados), transporte por aplicativo (3,87%) e emplacamento e licença (0,40%).
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.