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Aliados enxergam motivação política em operação “Alto Escalão”

Integrantes do PT, deputados e dirigentes da legenda no Distrito Federal demonstraram um clima de estranhamento e surpresa

Hylda Cavalcanti

A operação e prisão do ex-governador Agnelo Queiroz na manhã de ontem, na casa dele, deixou entre integrantes do PT, deputados e dirigentes da legenda no Distrito Federal um clima de estranhamento, surpresa e, para pessoas mais próximas da família do ex-governador, até de injustiça devido à “abordagem truculenta” dos policiais.

Mesmo os que não apoiam Agnelo avaliam a possibilidade de jogo político por trás da ação. Primeiro, pelo fato da data coincidir com o lançamento de um estudo do PT em Brasília. Depois, por ter acontecido semanas após terem sido feitas críticas duras por petistas do DF a bolsonaristas. Por fim, por muitas das denuncias feitas pelo Ministério Público contra Agnelo terem sido derrubadas em julgamentos de tribunais diversos nos últimos meses.

Em todo o Distrito Federal, sabe-se que a situação política de Agnelo Queiroz é delicada porque, desde o período em que ainda comandava o DF, um grupo de aliados dentro do PT se indispôs com ele e sua forma de governar e se deslocou de sua gestão. Esse grupo preferiu não se posicionar, assim que soube da operação.

Ninguém criticou o ex-governador, mas foi grande, em função disso, o número de pessoas que pediu aos jornalistas para procurarem o próprio diretório do PT para qualquer repercussão. Por outro lado, também foram muitas as manifestações dos que, apoiando ou não o ex-governador, reclamaram pela operação ter sido feita justamente no dia em que o PT no DF tinha agendado o lançamento de um programa de ações.

O trabalho apresenta sugestões para recuperação da economia, geração de emprego e suporte à saúde, entre outras, para o Distrito Federal após a pandemia. Foi realizado com a participação de cientistas sociais, acadêmicos e economistas. Com um detalhe: iria alavancar o nome do PT como o primeiro partido do DF a tomar tal iniciativa – que já tem sido observada por várias legendas em outras unidades da Federação.

“Em primeiro lugar é estranho que só depois de seis anos investigando o caso é que os policiais tenham sido enviados à casa do ex-governador para fazer uma busca e apreensão, se esse processo estava sendo apurado desde 2014, como disseram ”, afirmou o deputado distrital Chico Vigilante (PT).

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Em nota enviada à redação no fim do dia, os advogados de Agnelo afirmaram que a defesa do ex-governador não teve acesso a qualquer investigação instaurada pela Polícia Civil do Distrito Federal e muito menos pelo Ministério Público do Distrito Federal. Eles deixaram claro que a surpresa com a realização da operação policial decorreu do fato de “jamais, nos últimos cinco anos e quase sete meses após ter concluído seu mandato, Agnelo ter sido intimado para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o objeto da investigação”.

Os advogados também ressaltaram que o ex-governador permanece com residência fixa em Brasília, cumprindo com suas obrigações como cidadão e em isolamento social. E que ele pretende, tão logo seja possível conhecer o inteiro teor das investigações, se manifestar a respeito, “seguro de que não cometeu qualquer ilícito penal”.

Até o fechamento desta edição, nem o diretório nacional do PT nem o do PT no DF emitiram nota a respeito do caso.

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