“Ajude seu irmão o máximo que puder, healing mas não sofra por ele”. A orientação dada por Pedro* a uma mulher que ligava em busca de uma saída para o irmão viciado em álcool, treatment é uma das centenas de mensagens de apoio transmitidas toda semana pelo Alcoólicos Anônimos do DF e Entorno (A.A.-DF).
Presente em 150 países, check a irmandade completa quatro décadas de existência na capital de República com um trabalho bastante positivo na troca de experiências entre pessoas que querem se livrar da bebida, pré-requisito para quem ingressa no serviço. Não é preciso pagar nada para participar.
O A.A. chegou ao Brasil em 1947 e atualmente conta com 4,7 mil grupos ou cerca de 120 mil membros, segundo dados de 2006. Hoje são 93 grupos que atuam no DF e Entorno, cada um deles com pelo menos 10 pessoas que participam de reuniões abertas à comunidade ou fechadas, só para os alcoólicos.
Parcerias do bem
A estratégia de busca e apoio do A.A. é feita das mais variadas formas – com amigos e familiares que tentam ajudar um parente, abordagem por telefone ou após a saída de clínicas de recuperação. Há ainda parcerias com a Secretaria de Educação e órgãos do Poder Judiciário.
Apesar de não adotar uma religião em particular, a entidade absorveu alguns princípios básicos de ensinamentos espirituais e morais. As ideias foram incorporadas aos 12 Passos, espécie de mandamento para os membros (veja quadro). Para Pedro*, 67 anos, seguir esses itens foi essencial para conseguir deixar o vício de lado e se dedicar a levar aos outros a mensagem de que existe chance de se viver sem álcool.
A recuperação dele já dura 17 anos, mas prefere dizer que não bebe há 24 horas. “Dizer que nunca mais vamos beber é algo muito longe, procuramos viver o hoje”, observa. Ele conta que segue o tripé: 1) Parar de beber; 2) Não voltar a beber; 3) Reformulação da vida. “Não se pode dar o primeiro gole”, ensina.
Sua dependência teve início aos 16 anos, com vinho, depois cerveja e destilados (uísque, cachaça…). Resultado: bebia e não lembrava o que fazia, o que interferiu na vida social e afetiva. A saúde ficou bastante afetada. Pedro teve de ser submetido a cirurgias no esôfago e duodeno, retirada do intestino grosso, angioplastia e cateterismo, por problemas causados pela bebida.
Amarga herança
A história de Ana*, 31, foi diferente. Seu pai era alcoólatra e ela tinha horror a bebida. Aos 22 anos, ficou noiva, mas o noivo morreu. Foi o suficiente para a jovem se afundar no álcool e nas drogas. Começou com cerveja e passou para uísque, tequila e outras bebidas fortes. Perdeu emprego, carro e apartamento; envolveu-se em brigas, amanhecia em outras cidades sem saber como chegou.
Cinco anos atrás, pesando 39 quilos, resolveu dar uma guinada e entrou para o grupo de A.A. fundado pelo pai. “Os primeiros 30 dias foram os piores da minha vida”, diz. “Tive insônia, delírios, alucinações, meu corpo pedia álcool”, lembra. Ana foi forte e seguiu em frente. Ela já havia ido a várias igrejas, centro espírita, psicólogo e psiquiatra, mas o A.A. foi o único lugar que encontrou para ajudá-la a reunir forças e mudar de vida. “O grupo é tudo na minha vida, aprendi a viver”, comemora.
Segundo a gerente do Centro de Atendimento Psicossocial para Álcool e Drogas no Guará, Dalila Dourado, as mulheres têm mais facilidade de se tornarem dependentes, por questões fisiológicas de absorção mais rápida das substâncias. Ela diz que 90% das 5 mil pessoas que já foram atendidas usam álcool e apenas 30% conseguem se livrar.