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Águas Lindas de Goiás: artistas do hip hop buscam reforçar debate da igualdade de gênero

O evento batizado de Encontro A.L. está programado para ocorrer no próximo domingo (26)

Ana Paula Marques e Mateus Alves
(Jornal de Brasília / Agência de Notícias CEUB)

As batidas do hip hop acompanhadas por discussões de “responsa”…  Na cidade de Águas Lindas de Goiás (GO), artistas têm incluído nas conversas e nos versos as temáticas da igualdade e de padrões de gênero. O evento batizado de Encontro A.L. está programado para ocorrer no próximo domingo (26), como ocorre desde 2017, no último domingo de cada mês.

No mês passado, por exemplo, o evento juntou apresentações do graffiti, do rap, do breakdance e os deejay’s em um único local, no setor 11 na Pracinha da Cultura.

Os temas variam de edição para edição, mas a proposta é levar a essência do hip hop até a comunidade. O evento foi financiado através da lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, que visa auxiliar trabalhadores da Cultura bem como espaços culturais que foram afetados pela pandemia da covid-19.

Grafifti e Deejay

No mês passado, foram apresentados os elementos que embalam o gênero, começando pelo grafite. As artistas Karine Rufino e Aline Line grafitaram em painéis, ao vivo, no auditório principal. Karine, conhecida como Kaka, atua na crew A.Crio.A, uma equipe composta por mulheres do DF e do Entorno. Ela também faz parte do grupo de mulheres grafiteiras de Valparaíso (GO), que visa dar maior visibilidade para as artistas do município.

Seus primeiros trabalhos eram produzidos em stencil, técnica usada para aplicar um desenho ou ilustração em uma superfície, através do uso de uma prancha cortada ou perfurada. Após a artista posicionar o quadro no local a ser grafitado, o espaço vazado com os cortes é preenchido com tinta, o que forma o desenho.

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Quadros de Kaka e Line expostos|Foto|Mateus Alves

Inclusão das mulheres

Aline, conhecida como Line, é uma artista de Águas Lindas que pratica o graffiti desde os 14 anos. As personagens femininas que ela retrata em sua arte são compostas por cores vibrantes. Suas pinturas são uma abstração da inclusão das mulheres na cena. O trabalho dela também é preenchido de representatividade, visto que as moradoras da periferia podem se enxergar nas personagens.

No mesmo dia, na parte externa da praça, o deejay Wbeat comandou os ritmos nas batalhas de breaking. Ele chegou em Águas Lindas recentemente e toca com o objetivo de alegrar a comunidade onde mora. Além de todo o movimento cultural, o evento contou com rodas de conversa, onde a comunidade tinha espaço para falar de suas experiências culturais, especificamente as mulheres e a comunidade LGBTQIAP+.

+Representatividade

Rafael Martins foi mestre de cerimônias do evento pela primeira vez. Com sua drag queen, a Raio Laser, representou a comunidade LGBTQIAP+, o movimento do hip hop e os envolveu na moda.

Raio Laser apresentou o evento nos dois dias de programações|Foto|Divulgação|Encontro A.L

Rafael sente falta de eventos que levem a representatividade para Águas Lindas. “Como foi falado na roda de conversa, esse evento é um serviço para comunidade porque ele reeduca e somos mal educados pela escola pública e o hip hop é para todos”. 

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O único evento direcionado para a comunidade LGBTQIA + é a parada gay, realizada todo ano na rua principal da cidade.

Breaking e Rap

O segundo dia do evento contou com as apresentações de rap e as batalhas de breaking, na parte externa, ao som do deejay Ronald. Já no auditório do espaço, os deejays Sapo, Sidney e a deejay Ketlen apresentaram seus sons. Os artistas mesclam o ritmo do hip hop com famosas composições da música popular brasileira. Ao mesmo tempo que carrega sua própria identidade, a música traz ao ouvinte memórias, através de melodias que foram amplamente difundidas Brasil afora. É uma mistura que respeita o que existe sem negar o que há de novo.

Comunidade se reúne na quadra para dançar|Foto|Ana Paula Marques

O dançarino Mirley Allef ganhou o título de rei da cypher, palavra que vem do árabe e significa “zero”. O número faz referência ao formato da roda que é feita durante as batalhas de breaking. Os movimentos dos artistas animaram o público e demonstraram flexibilidade, controle, harmonia e velocidade.

Duas mulheres rappers integraram a equipe que se apresentou no evento. As artistas Layó e Lua cantaram suas músicas autorais, representando a poesia das ruas do entorno. Os vencedores das batalhas ganharam prêmios em dinheiro, que variaram entre R$ 1 mil e R$ 3 mil.

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Entre os dias 23 e 26 de junho, o evento será disponibilizado no YouTube em episódios, separados de acordo com cada movimento artístico do hip hop.

Início do projeto

Tay Brito, 31 anos, é quem dá vida ao evento. Moradora de Águas Lindas, teve a ideia de fazer um projeto para a inclusão do hip hop na comunidade quando percebeu que, para participar dos eventos de breakdance, tinha que se locomover para Brasília. Assim ela se inscreveu para um edital e conseguiu o total de mil reais para fazer acontecer o primeiro encontro A.L.

A partir daí ela começou a produzir o evento todo mês. Sem patrocínio fixo, Tay precisa fazer a captação de recursos e o planejamento como pode. Ela chega a tirar dinheiro do próprio bolso. “Desde o início, é um projeto feito na raça com a vontade dos artistas, com a mobilização da comunidade dançante da cidade. Alguns artistas locais já aderiram ao projeto e estão lá todo evento”.

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O intuito de Tay não é somente levar o hip hop, mas trazer a comunidade para dentro do espaço cultural, que, segundo ela, é bem reduzido no município.

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“Nosso principal objetivo é levar entretenimento para a nossa comunidade, por isso sempre temos em nossa programação um set Deejay’s que trazem músicas diferentes, não só para os dançarinos, mas também para a comunidade se sentir abraçada e saber que vai poder ver uma dança, um graffiti e que no final do evento vai curtir e dançar”.

Supervisão de Gilberto Costa e Luiz Claudio Ferreira








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