Por Mariana Menhô
Em 1° de agosto se inicia a campanha “Agosto Dourado 2026: Fortalecer o que funciona”, a cor foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que considera o leite materno como um alimento de ouro, por seu valor nutritivo. Esta iniciativa, que foi instituída por uma lei distrital, busca aumentar os índices de aleitamento materno exclusivo até os seis meses, na intenção de reforçar um compromisso coletivo com a segurança alimentar.
De acordo com dados de 2019 do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), o Brasil teve um avanço significativo, indo de apenas 4,7% nas últimas décadas para 45,8% de bebês em aleitamento materno exclusivo. Porém os desafios para atingir as recomendações da Assembleia Mundial da Saúde (AMS) ainda são muitos, já que o ideal seria de pelo menos 60%.
Na intenção de garantir que essa prática funcione, a rede pública do Distrito Federal oferece suporte de diversas maneiras. Conforme as diretrizes da Coordenação das Políticas de Aleitamento Materno, que faz parte da Secretaria de Estado de Saúde, liderada por Maria das Graças Cruz, as famílias podem buscar orientação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas nas maternidades públicas desde a primeira hora de vida do bebê.
Atualmente, Brasília conta com 14 bancos de leite humano e seis pontos de coleta, que servem tanto para a distribuição de leite para recém-nascidos em unidades de terapia intensiva (UTIs), quanto para atendimento gratuito de mães com dificuldades técnicas.
A importância do acolhimento é sentida por mulheres como a dona de casa Marcela Gabriela Menezes, de 34 anos. Mãe do pequeno Arthur, que nasceu prematuro de 35 semanas, ela passou por diversos obstáculos por falta de orientação inicial. “Eu estava perdida e não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas hoje sei que foi tudo devido a amamentação. Meu filho não sabia mamar e eu não sabia amamentar, me sentia desamparada”, relata Gabriela.

A experiência dessa mãe ilustra a vulnerabilidade do período pós-parto, em que o acesso ao serviço especializado pode evitar o desmame precoce. “Quando encontramos um lugar seguro, acolhedor e que realmente entende esse momento e esse processo, como o banco de leite, torna tudo mais tranquilo, calmo e seguro para a mãe e o bebê”, afirma a dona de casa.
A nutrição e o quebra-cabeça biológico
Para Graça Cruz, o leite materno é insubstituível justamente por conter todos os nutrientes necessários para os primeiros meses da criança, o que facilita a digestão. A coordenadora usa uma metáfora para explicar como o sistema imunológico se forma: “Existe um quebra-cabeça dentro do organismo do bebê e as peças que estão faltando estão no leite da mãe dele”.

De acordo com a mesma, até mesmo anticorpos contra doenças que a mãe já teve ou vacinas que tomou são passados para o filho pela amamentação. A especialista também acende o alerta para o uso de mamadeiras e fórmulas infantis, que muitas vezes tem como base leite de vaca.
Além do esforço a mais para digerir proteínas maiores do que as do leite da mãe, sujeita o bebê a riscos desnecessários.”Mamar no peito é diferente de mamar na mamadeira. O bebê desaprende e acaba desistindo do peito, o que causa o desmame precoce”, explica a coordenadora
Desmistificação de mitos
Um dos grandes desafios do aleitamento, é desmistificar a crença de que a amamentação é instintiva. Maria das Graças esclarece que a mãe e o bebê muitas vezes não sabem como amamentar ou mamar. A técnica correta, que inclui a pega adequada da aréola e não somente do mamilo, deve ser ensinada no pré-natal.

A rede de apoio também deve atuar no combate ao mito do “leite fraco”.”Toda mulher consegue produzir um leite eficiente. A família precisa apoiar essa mulher para que ela não tenha sua autonomia retirada por comentários negativos”, defende Maria das Graças. O suporte se faz ainda mais necessário em casos de prematuridade, onde o estresse da internação na UTI Neonatal pode diminuir a produção de leite da mãe.
Para aumentar essa rede de apoio, o DF incentiva a doação de leite materno excedente. Conforme as orientações de Maria das Graças, o processo é facilitado para as voluntárias, “As mulheres que desejarem doar leite humano podem ligar para o telefone 160 ou, realizar o cadastro pelo portal Amamenta Brasília”, indica a coordenadora.

Após o registro, o banco de leite organiza a entrega do material e agenda a coleta domiciliar, garantindo que o “alimento de ouro” chegue aos bebês que precisam.