Se a situação da violência no Entorno do Distrito Federal já é preocupante, ampoule sem a presença dos policiais civis a tendência é piorar. Ontem, os agentes da Polícia Civil de Goiás entraram em greve por tempo indeterminado. As principais reivindicações são pelo reajuste salarial de 34% e por melhores condições de trabalho. De acordo com o Sindicato dos Agentes da Polícia Civil de Goiás (Sinpol-GO), 280 policiais civis atendem 19 distritos do Entorno e as remunerações não passam por correções desde 2005.
“Ficar quatro anos sem reposição salarial é uma situação que causa revolta”, assinala a diretora jurídica do Sinpol-GO, Alessandra Gonçalves. Segundo ela, o secretário de Segurança Pública de Goiás, Ernesto Holler, sinalizou há 17 dias que o Estado não teria condições de atender aos pedidos da categoria. Ontem, o secretário evitou comentar sobre o assunto e sua assessoria informou que ele vai falar sobre a greve hoje durante a inauguração de um novo distrito policial em Goiânia (GO).
“Há mais de um ano tentamos várias formas de negociação, mas as respostas foram todas negativas. Por isso, decidimos, em assembléia, pela paralisação”, explica a diretora jurídica. Com a greve, o atendimento nas delegacias do Entorno está funcionando apenas para registro de ocorrências de crimes hediondos como homicídios, estupros e atentados violentos ao pudor. No entanto, as investigações estão paradas e o cumprimento de mandados judiciais de prisão também.
De acordo com o Sinpol-GO, as delegacias do Entorno têm um déficit de três mil policiais civis. “No último concurso público foram admitidos 600 agentes, que representam um quinto da nossa necessidade e não serão suficientes para cobrir o déficit”, aponta Alessandra. Segundo ela, além de pouco efetivo, os policiais são obrigados a lidar com situações adversas como viaturas sucateadas e sem rádio, condições precárias de infraestrutura nas delegacias e pouca quantidade e armamentos obsoletos.
Nas delegacias do Entorno, os agentes reclamam do descaso do governo goiano, da desvalorização profissional e do desvio de funções. “O agente, que deveria investigar, muitas vezes faz a função de escrivão”, denuncia um policial, que não quis se identificar.
A população é quem mais sofre com a paralisação. Em Luziânia, por exemplo, a comerciante Nina Magalhães, 43 anos, já perdeu as contas de quantas vezes foi assaltada em seu restaurante, que fica a poucos quilômetros da delegacia. Em uma das vezes, Nina foi baleada nas costas e, por pouco, não ficou paraplégica.