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Brasília

Afogamentos: Basta só um descuido para virar tragédia

Arquivo Geral

17/03/2014 8h10

Os acidentes na água  aumentam a cada ano, alerta o Corpo de Bombeiros. Segundo dados do Grupamento de Busca e Salvamento, de janeiro a novembro de 2013  houve 58 casos, cinco afogamentos a mais que no ano de 2012. Neste fim de semana, foram pelo menos dois – ambos de crianças. Um deles ocorreu no  Piscinão do Lago Norte, localizado próximo ao setor de mansões do bairro, onde a frequência de casos preocupa os bombeiros e as famílias que frequentam o local. 

Por volta das 13h20 de ontem, uma criança de 6 anos se afogou enquanto pescava na beira do Lago. Júlio César dos Santos Barreto  está internado na UTI do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). O menino tinha ido com a família ao piscinão pela primeira vez e, segundo o pai do garoto, o cozinheiro Júlio César dos Santos Costa, 37, o filho passou mais de quatro minutos debaixo da água. 

“Ele desapareceu em questão de segundos e nós só conseguimos encontrar o corpo dele por causa da vara de pescar, que estava boiando. Ele estava desacordado e todo roxo. Meu filho tem medo de água, foi uma enorme fatalidade”, lamenta o pai, que afirma ter saído da igreja para curtir o dia com os filhos. 

“Só quero o meu filho de volta”, gritava a mãe da vítima em frente ao hospital, a dona de casa Sheila Barreto, 35 anos. 

 O ocorrido abalou não apenas a família, mas também muitas pessoas que passaram o dia no piscinão. Para a auxiliar administrativa Silvaneide Amorim, 25 anos, o local precisa de mais segurança. “A quantidade de bombeiros é pouca e, além disso, eles precisam circular mais. Porém, não podemos negar que os pais também precisam ficar em alerta”, declara.

O piscinão é palco de muitos exageros, ressalta o sargento Renato Gontijo. Segundo o bombeiro, em quase todo o fim de semana é registrado um caso no local, sendo o consumo exagerado de bebidas alcoólicas uma das principais causas dos acidentes. “Quando tem sol, o piscinão recebe mais de mil pessoas   e são muitas crianças brincando no Lago . Com o consumo de álcool, muitos familiares descuidam dos menores”, observa.

Piscinão: cenário preocupante

 O sargento dos bombeiros Renato Gontijo ressalta   que, devido aos excessos, a quantidade de afogamentos no local é maior em adultos. De fato, o que parece não faltar no piscinão é o exagero. Com muito lixo no chão, música alta, pessoas dançando em cima dos carros, motos estacionadas em qualquer lugar e muita imprudência dos banhistas, o lugar oferece riscos para todas as idades e está carente de mais segurança. 
 
No total, apenas três bombeiros fixos fazem a cobertura da região aos fins de semana. “O número de bombeiros é insuficiente diante da quantidade de pessoas que frequentam o lugar. As autoridades, inclusive, já foram avisadas. Aqui, nós trabalhamos como babás de bêbados, pois a incidência de pessoas que se afogam por imprudência é enorme”, afirma o sargento Ricardo Jesus, que tinha acabado de resgatar um homem que estava tentando atravessar o Lago Paranoá a nado.
 
 “O maior erro das pessoas é o exagero. Mesmo quase se afogando, muitos banhistas se recusam a serem salvos”, relata o bombeiro militar. 
 
 
 

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