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Brasília

Advogado e procurador são denunciados pela PGR

Arquivo Geral

07/06/2017 7h00

O advogado Willer Tomaz está preso por supostamente ter prejudicado investigações da Operação Greenfield. Foto: Valter Zica/OAB-DF

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Acusados de corrupção passiva, violação de sigilo e obstrução à investigação, o advogado Willer Tomaz de Souza e o procurador da República Ângelo Goulart Villela foram denunciados pela Procuradoria Regional da República (PGR). Eles estão presos há 20 dias, desde que foi deflagrada a Operação Greenfield, que investiga irregularidades em quatro dos maiores fundos de pensão ligados a estatais. O Ministério Público Federal (MPF) pediu ainda que sejam apurados fatos relacionados a Juliano Costa Couto, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Fedetal (OAB-DF).

Costa Couto foi citado na delação dos irmãos Batista, da JBS, mas diz que apenas indicou ao grupo o advogado Willer Tomaz. E considera que a apuração será uma “oportunidade de esclarecer os fatos”. Ele conta que, com o pedido do MPF, se antecipará e vai se colocar à disposição da Justiça.

O presidente da OAB-DF garante que nada tem a ver com o assunto. “Apenas indiquei o escritório de um advogado que, até então, tinha sido até homenageado pelo Tribunal de Justiça do DF”, diz, referindo-se ao fato de que Willer Tomaz ter sido condecorado com medalha da Ordem do Mérito Judiciário do Distrito Federal e dos Territórios, no ano passado. “Estou muito tranquilo”, garante o presidente da da OAB-DF.

Ao reiterar que não atua como advogado do grupo JBS, ele diz que nunca fora contratado por qualquer dirigente da empresa, embora tenha sido sondado para tal. A recusa, segundo Costa Couto, se deu porque o escritório dele não atuaria “em causas penais de alta complexidade”. Foi aí que ele, então, teria indicado o advogado criminalista Willer Tomaz para atuar no caso.

É comum, diz Costa Couto, que advogados sejam procurados para indicação de profissionais que trabalhem em áreas específicas, distintas do foco de atuação, como ocorreu no caso. “Assim sendo, como todos, tenho absoluto interesse no completo esclarecimento dos fatos, colocando-me à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos, inclusive para a salvaguarda de minha vida profissional de quase 20 anos de uma advocacia reconhecidamente honrada”, diz o texto divulgado pelo presidente da OAB-DF.

Saiba mais

  • Após a denúncia do MPF, o TRF vai abrir um prazo para que os advogados dos denunciados apresente uma defesa prévia.
  • Depois disso, e da resposta do Ministério Público, o TRF deverá julgar se recebe ou não a denúncia, transformando os então denunciados em réus.

Quem é André?

O MPF também pediu que a cópia do processo seja remetida à Procuradoria da República no DF, para apuração de eventuais atos de improbidade administrativa, bem como dos fatos relacionados não só a Juliano Costa Couto, mas também a outra pessoa, até agora identificada apenas pelo nome de André nos depoimentos dos colaboradores da investigação.

O procurador Ângelo Goulart Villela foi denunciado ao Tribunal Regional Federal (TRF), foro adequado para processar procuradores da República, conforme determina a lei. Cedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele é lotado na Procuradoria da República em Osasco (SP).

Os acusados, conforme o Ministério Público Federal, “cometeram atos que perturbaram e prejudicaram a condução das investigações da Operação Greenfield”. Os fatos foram relatados à Procuradoria-Geral da República em delação premiada de pessoas ligadas ao Grupo J&F, principalmente as feitas pelo presidente da empresa, Joesley Batista. Foram apresentados documentos e outros meios de prova, e também foram feitas apurações por meio de ação controlada autorizada pelo ministro do STF, Edson Fachin.

Investigações

Entidade atende pedido de Costa Couto

Apuração Também na OAB

  • Juliano Costa Couto protocolou, no mês passado, um pedido de apuração no Conselho Federal da Ordem. No ofício que encaminhou, ele cita as delações feitas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista e manifesta interesse no esclarecimento dos fatos.
  • O presidente da OAB Nacional, Claudio Lamachia, diz ser “louvável” a atitude de Juliano Costa Couto, que vai de encontro aos princípios de transparência da Ordem dos Advogados do Brasil. “Os fatos serão rigorosamente apurados, a pedido do próprio presidente Juliano. Os resultados da apuração serão amplamente divulgados”, afirmou.
  • O Conselho Pleno da OAB-DF já manifestou “incondicional apoio e solidariedade” a Costa Couto, diante do que chamou de “irresponsáveis ataques” as citações ao presidente da Ordem.

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