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Brasília

Advogado acusado de atropelar servidora em 2021 vai a júri popular

O advogado, que está preso preventivamente desde 25 de agosto de 2021, é acusado de tentativa de homicídio qualificado

Amanda Karolyne

25/07/2023 13h56

Imagem: Reprodução

O primeiro dia do júri popular para o julgamento do advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, 39 anos, foi nesta terça-feira (25). O advogado foi acusado de atropelar a servidora Tatiana Thelecildes Fernandes Matsunaga, 42, na porta de sua casa em agosto de 2021, após um desentendimento de trânsito. A vítima ficou com sequelas neurológicas após o ocorrido.

Ao todo, 9 pessoas foram ouvidas de acusação e defesa. A vítima, Tatiana, deu sua oitiva pela manhã, assim como o marido, Cláudio Matsunaga. O réu foi ouvido no fim do dia.

O crime aconteceu após desentendimento no trânsito, dia 25 de agosto de 2021, na QI 19 do Lago Sul. No dia, Tatiana tinha acabado de buscar o filho na escola, que estava passando mal. O advogado, que está preso preventivamente desde então, é acusado de tentativa de homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, durante todo o júri vamos atualizar as informações.

Tatiana é servidora pública da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa). Ela ficou com sequelas neurológicas, como traumatismo craniano, e teve fraturas expostas na perna e no quadril, chegando a ficar na UTI. O diagnóstico consta em um laudo apresentado a Justiça.

Segundo o Promotor de justiça do tribunal de júri de Brasília, Marcelo Leite Borges, em razão do fato, a vítima teve amnésia e até hoje não consegue se lembrar do dia do acontecimento.

“Ela disse, entre outras coisas, que passou algum tempo ainda, talvez meses, sem reconhecer os próprios filhos. Ela teve um risco de vida muito alto, foi salva por milagre, não tem outra explicação, porque ela foi desenganada pelos médicos várias vezes. Nesse sentido, foi o depoimento do marido, que acompanhou todo o drama que ela viveu. Ele deu muitos detalhes sobre o fato e a recuperação da mulher”, disse Borges.

Ainda nesta terça, vão ser ouvidas as testemunhas do acusado. “O réu tem a versão dele, e a defesa vai tentar justificar o que a nosso ver é totalmente injustificável”, destaca Borges. O advogado aponta que foram dois momentos, o do impacto, e o momento em que ele continua acelerando com ela por cima do capô. E em seguida, continua acelerando com ela caída no chão. “E passa por cima, como se tivesse passando por cima de um quebra-molas”, explica.

O que pode ser determinante, e a promotoria vai mostrar que a tese dele é inverosímil. “A imagem fala muito por si, quem vê a imagem não tem dúvida do que aconteceu”, finaliza o promotor.

Em depoimento, a esposa do réu disse que depois do ocorrido, Paulo Ricardo ligou para ela, desesperado. Ao entender o que havia acontecido, a mulher não conseguiu mais falar, então passou o telefone para uma colega de trabalho. A amiga de Natália também prestou depoimento.

O Perito Criminal da Polícia Civil do DF Alex Lima, revisor do caso, e o Adalberto Filho, perito responsável pelo laudo, também foram ouvidos. O assistente técnico contratado pela defesa de Paulo Ricardo para elaborar perícia particular foi a última testemunha a ser ouvida.

O assistente técnico alega que se a vítima não tivesse se movimentado, o atropelamento não teria acontecido. Essa inclusive é a versão da defesa do acusado, que em nota, alega que o advogado mirou em direção à calçada com a intenção de deixar o local. “No entanto, após notar que Ricardo avançava para sair, Tatiana tenta impedir e se atira em frente ao carro”, diz a nota.

Laudo pericial

No último sábado (22), a PCDF apresentou o laudo pericial criminal do caso. Foi analisada a velocidade do Fiat/Idea nos momentos que se seguiram, após o contato com Tatiana. Considerando as incertezas relacionadas ao processo, a estimativa de velocidade era de 18 a 21 km/h. O documento mostra que seria possível que o motorista visualizasse Tatiana na frente do veículo, dessa forma, apto a reagir.

A perícia também concluiu que levando em conta a velocidade, tempo de reação e o tempo/espaço, não seria possível evitar a colisão entre veículo e a vítima.

Relembre o caso

O atropelamento ocorreu na porta da casa da vítima, na QL 19 do Lago Sul. Segundo a PCDF, Paulo Milhomem e Tatiana discutiram na QI 15, e o advogado seguiu a mulher até a casa dela.

Como mostram imagens do circuito de segurança, após Tatiana estacionar o carro, o advogado chega. Novamente, os dois discutem, e de carro, Milhomem vai até o fim da rua, enquanto Tatiana desce do veículo dela.

Nesse momento, o marido da servidora sai de casa, e a discussão recomeça, agora entre os três. Em seguida, o advogado avança com o carro e atropela Tatiana. O filho do casal, de oito anos, presenciou a cena.

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