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Brasília

Adeus Paulinho, vamos sentir sua falta!

Morre Paulo Pestana, jornalista e mentor das campanhas de Ibaneis Rocha. Ele faleceu na madrugada desta segunda com suspeita de dengue

Redação Jornal de Brasília

11/03/2024 16h27

O jornalista Paulo Pestana faleceu na madrugada desta segunda-feira (11/3), em Brasília, após uma septicemia causada por dengue hemorrágica. Ele tinha 66 anos e veio a óbito pouco depois de dar entrada na emergência de um hospital particular da Asa Norte, com sintomas da doença.

Sobre o ocorrido, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), lamentou. “Uma grande perda para todos nós. Pestana era um amigo fiel e uma personalidade ímpar. Um excelente articulador, profissional excepcional. Perco um dos meus principais mentores políticos”, comentou o chefe do Executivo local. Ibaneis também decretou luto oficial de três dias pela morte do jornalista. O decreto consta em publicação extra no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), na manhã desta segunda.

Em Brasília desde 1973, Pestana foi diretor do Jornal Nacional, da TV Globo, e atuou como um dos articuladores das campanhas de Ibaneis na disputa pelo Governo do Distrito Federal, em 2018, e na candidatura dele à reeleição, em 2022. Ele foi um dos entusiastas de Ibaneis como cabeça de chapa pelo partido, quando o nome dele ainda era trazido como vice de Jofran Frejat (PR).
O jornalista também passou por veículos de comunicação como O Estado de São Paulo, Correio Braziliense e o Jornal de Brasília. Ele completaria 67 anos no dia 25 de março.

Querido por onde passou

Ao JBr, o advogado José Carlos Coelho contou que é difícil falar de Paulinho, -como era chamado pelos amigos. Ele era amigo de Pestana e se reunia com o jornalista quase todos os sábados, em uma banca no Lago Norte, com um grupo de amigos. O objetivo dos encontros era colocar a conversa em dia e tomar uma cerveja. “Fazíamos nossas reuniões para jogar conversa fora mesmo. Papo de amizade. Foi nessa banca, inclusive, que eu conheci o Paulo. Já fui cabeleireiro também, e um dia o Paulinho chegou lá, todo cabeludo, e eu falei ‘senta aí, vou cortar seu cabelo'”, relembra. “Ele era uma pessoa muito especial, e me deparar com essa notícia me chocou. Fiz amizade com ele em pouco tempo, nos conhecemos a mais ou menos um ano atrás e eu sempre admirei muito o trabalho dele. Estou muito triste e sem palavras, é muito difícil falar de alguém por quem tenho tanto carinho”, finalizou.

Dono da banca onde ocorriam os encontros, Esmeraldino Gomes Cordeiro, conhecido apenas como Cordeiro, compartilha que Paulo adorava frequentar o local e utilizava o espaço para escrever seus textos. “Paulo foi grande frequentador do meu ambiente, onde ele tanto escreveu suas colunas. Sua presença era marcante em todos os eventos programados por nós, e o mais recentemente foi o Carnaval da banca, quando veio com sua família”, conta. “Nós, amigos da Banca, vamos sentir sua falta. Fica um vazio, uma tristeza, mas vamos lembrar dele com alegria”, completou.

Lourenço Peixoto, diretor do Jornal de Brasília, que foi o responsável pela contratação de Pestana em 2001, quando o jornalista assumiu o cargo de diretor de Redação do jornal, também lamentou profundamente a notícia.

“O momento em que ele esteve conosco foi a época que o Jornal de Brasília se reinventou. Ele foi um grande jornalista, grande estrategista e graças a ele o JBr chegou ao máximo de vendas e prestígio, o que perdura até hoje. Além de ser um ser humano incrível, ele era um ótimo profissional. Guardo recordações maravilhosas do tempo em que estive com ele. Espero que ele esteja agora nos braços de Deus”, disse.

Marcelo Moura, ex-colega de trabalho também no Jornal de Brasília, pontuou a grande perda que o jornalismo sofreu. “É um dia triste não apenas para o jornalismo de Brasília, mas para a sociedade em geral. Perdemos alguém brilhante”, adiantou.

“Trabalhar com ele foi um aprendizado gigantesco. Ele trazia para nós uma evolução permanente e foi um verdadeiro engrandecimento profissional. Ele era nosso capitão e tinha uma sensibilidade extrema, seja na hora de contar histórias ou de observar e traduzir tudo que via. Ele deixará muita saudade”, finalizou.

Grande amigo de Paulo e de sua família, Luís Augusto Mendonça, ou Luisinho, trabalhou muitos anos com o amigo em diferentes emissoras de TV e rádio. Para ele, Paulinho era o “irmão que nunca tive”, e era conhecido, entre os amigos, como Drummond. “Conheci o Pestana em 1976. Desde essa época, nunca nos separamos. Estávamos sempre juntos compartilhando nossas histórias. A notícia de sua ida foi dura, uma verdadeira pancada”, relata. “Costumava brincar dizendo que ele era o nosso Drummond. Um excelente jornalista, amigo dos amigos, sempre com seu jeito manso e humilde. Ele tinha sempre uma palavra, um norte, uma luz para resolver qualquer problema. Desejo a ele muita luz e espero que ele continue acompanhando a gente lá de cima. Nosso craque”, finalizou o parceiro de vida e ex-colega de trabalho.

Triste com a notícia, Eliana Araújo, que trabalhou com Pestana em algumas campanhas do GDF, enfatiza as inúmeras qualidades do jornalista. “Um perda imensurável”, comenta. “Ele era um amigo. Gentil, ético, bem-humorado, sagaz e de uma elegância enorme no trato com as pessoas”, acrescentou.

Redes sociais

Nas redes sociais, a jornalista Daniela Lima, da GloboNews, lamentou a morte do colega. “Dono de uma elegância e de uma correção incríveis e inigualáveis. Sempre acessível, sempre honesto, sempre cabeça aberta e boa. Que coisa mais triste. Meus sentimentos à família e aos muitos amigos que ele tinha”, afirmou.

O jornalista Vicente Nunes também foi às redes sociais prestar uma homenagem. “Dono de uma elegância e de uma correção incríveis e inigualáveis. Sempre acessível, sempre honesto, sempre cabeça aberta e boa. Que coisa mais triste. Meus sentimentos à família e aos muitos amigos que ele tinha”, afirmou.

Outro colega de trabalho de Pestana, Marcelo Abreu, também deixou sua homenagem na internet, e relembrou o tempo que trabalhou com Paulo. “A vida é um sopro Paulo era um cara do bem. Luz para ti!”, afirmou.

Roni Cavalcante, publicitário e amigo de Pestana, lembrou uma campanha na qual trabalhou com o jornalista, em 2020, em Vitória (ES). “Não havia equipe suficiente, e a gente tinha de fazer tudo. O almoço era na hora que dava e do jeito que dava. [Paulo era] um cara humilde e que sempre ensinava tudo que sabia”, comentou.

Bruno Melo, da CBN, comentou sobre a perda do jornalista. “Um grande profissional! Pestana era um dos assessores mais próximos do governador Ibaneis. Teve papel fundamental na campanha que elegeu o emedebista. Sempre prestativo, atendia a todos os profissionais da imprensa. Ótimo papo, ótimo texto, uma grande figura”, disse o apresentador.

A notícia repercutiu também na Câmara Legislativa, e o deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL) se pronunciou: “Um amigo estimado, profissional ético e referência para a comunicação. Que Deus o receba e conforte sua família”, lamentou.

O presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB), publicou uma nota de pesar. “É com profundo pesar que enviamos esta nota pela perda do estimado jornalista Paulo Pestana. Sua presença e profissionalismo marcaram profundamente a política e a comunicação, deixando um legado duradouro em nossa sociedade”, adiantou o parlamentar. “Expressamos nossas mais sinceras condolências à família neste momento de grande tristeza. Que encontrem conforto na lembrança do seu trabalho e nas memórias compartilhadas”, finaliza o pronunciamento.

O velório do jornalista será nesta terça-feira (12/3), a partir das 10h no cemitério Campo da Esperança. O corpo do jornalista será cremado em Valparaíso (GO), no Entorno, às 16h. Até o último domingo (10), Pestana publicava crônicas, e seu último texto assinado foi “A música na revolução”, crônica publicada na Revista do Correio.

Segue:

Viver é ter histórias para contar. A vida de Tirso Saenz foi assim, quase uma saga, com muitas dessas histórias, que começa numa família musical, passa pela educação formal nos Estados Unidos, transforma-se ao servir a revolução socialista de Cuba e sossega ao lado da mulher, Maria Carlota, em Brasília.

Sossega, mas não muito. Seu Tirso Saens morreu aos 92 anos quando lançava a segunda edição do livro O ministro Che Guevara — testemunho de um colaborador, no Rio de Janeiro, cheio de memórias. O trabalho diário tinha acabado, mas a defesa intransigente da revolução cubana continuou até o fim.

Morando no Lago Norte nos últimos anos, ele aproveitava a aposentadoria depois de uma vida dedicada ao trabalho pela ideologia que acreditava, contando histórias, principalmente sobre sua relação com Che Guevara. Os detalhes ainda estavam frescos na memória.

Não foi um revolucionário de primeira hora, não desceu a Sierra Maestra para depor Fulgêncio Batista, embora deplorasse o ditador. Mas serviu à revolução com fervor, tanto que o pai — que havia impedido a desejada carreira musical — lamentou-se ao ver o filho sem poder dormir mais que três horas por noite de tanto trabalho.

Mas depois de uma vida inteira dedicada à revolução cubana, Tirso Saenz deixou de lado as crises do petróleo e das matérias-primas minerais e voltou a se dedicar ao que mais gostava: música. Mais precisamente, boleros, paixão juvenil que não abandonou nem depois de ter vivido tantas décadas.

Tudo poderia ser diferente se o pai, músico, não tivesse vendido o piano da casa depois de passar um ano tocando fora do país, longe da família, algo deprimido. Achava que a vida dos filhos seria melhor se fossem doutores. Tirso se formou engenheiro químico, voltou a Cuba comandando uma multinacional, entrou no ministério do governo cubano e fez a revolução.

A música nunca saiu do radar. Nas viagens oficiais, ele sempre achava um jeito de dar uma canja e entreter colegas de delegação, cantando os clássicos da canção cubana, temas que ajudaram a definir a música popular ocidental.

Em Brasília, realizou um sonho: gravou um disco, Recuerdos, com o melhor que os compositores cubanos já fizeram. Contigo em la distancia, de Cesar Portillo; Dos gardenias, de Isolda Carrillo; Quizás, quizás, quizás, de Oswaldo Farrés; de origem puramente cubana, juntam-se à argentina El dia que me quieras, de Gardel e La Pera, num desfile latino apresentado com a voz suave, que coube perfeitamente nos arranjos e produção de Jaime Ernest Dias.

O disco pode ser ouvido em todas as plataformas de streaming, graças ao trabalho de Gustavo Vasconcellos, um baterista de rock que decidiu abrir a gravadora GRV para promover artistas independentes e amantes da música.

As histórias que Tirso Saens colecionava e relatava com inegável prazer a quem se dispusesse a dividir uma dose de rum estão registradas em livros e até em algumas entrevistas. A admiração ao líder Che Guevara permaneceu intacta até o fim, mas Tirso Saenz foi além: nunca teve que endurecer; bastava cantar para mostrar toda sua ternura.

 

 

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