Técnicos e diretores da empresa Jurong, de Cingapura, responsáveis pelos estudos sobre o atual estágio de desenvolvimento de Brasília e suas necessidades futuras para se tornar um polo de atração de investimentos, conheceram hoje como a ADASA atua no Distrito Federal nas áreas de recursos hídricos, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e resíduos sólidos.
Essas informações são fundamentais para que eles possam formalizar o acordo de cooperação entre a Jurong e o GDF para a implantação de um programa de desenvolvimento de Brasília de médio e longo prazo.
Os trabalhos foram iniciados e coordenados pelo diretor Diógenes Mortari. O Diretor Presidente, Vinicius Benevides, compareceu à reunião e disse aos consultores da Jurong que a ADASA dispõe de equipe altamente qualificada e disposta a atuar decisivamente na concepção do modelo de desenvolvimento que será proposto.
Na área de recursos hídricos, o Superintendente Rafael Mello salientou que o Plano de Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos – PGIRH tem como objetivo principal garantir água em quantidade e qualidade para a atual e as futuras gerações. Salientou que a demanda de recursos hídricos estão sendo adaptadas aos Planos de Ordenamento Territorial (PDOT), de Resíduos Sólidos (PDRS) e de Drenagem Urbana (PDDU), que interferem diretamente na disponibilidade e demanda hídrica da região.
Rafael salientou que a ADASA vem gerenciando, em cooperação com órgãos federais e do GDF, os recursos hídricos oriundos das sete bacias hidrográficas da região, tanto na qualidade como na quantidade, de modo a evitar que as demandas superem as ofertas de água. Para isso, utiliza uma ampla rede de monitoramento tanto das águas superficiais como subterrâneas.
Para atender à demanda da população, a CAESB tem atualmente uma produção de 8,5 m3 por segundo, para uma demanda média de 7 m3/s e máxima de 8,4 m3/s. Para garantir o abastecimento futuro, a empresa vai operar com novas fontes, dobrando a oferta para os próximos 20 anos.
Carolinne Dias Gomes, da Superintendência de Drenagem Urbana , Gás e Energia –SDE, analisou a situação da rede de drenagem de águas pluviais no DF –a que já está implantada e a que se encontra em fase de implantação- dizendo que para atingir o índice de atendimento às necessidades da população terão que ser feitos novos investimentos.
Os principais problemas, segundo ela, é que é alto o número de ligações clandestinas de esgoto na rede de águas pluviais; a obstrução das passagens de água nas redes causadas principalmente pela quantidade de lixo, e a falta de redes em vários locais no DF.
Carolinne apresentou vários mapas mostrando a localização dos pontos críticos de drenagem urbana, responsáveis pelos transtornos à população. Apontou as ligações clandestinas dos esgotos nas redes pluviais, causando obstrução à passagem da água e, até mesmo as deficiências da própria rede. Mostrou, ainda, a quantidade e localização das bacias de retenção em operação portas de lançamento das águas pluviais, sem prévio tratamento, no Lago Paranoá.
Para resolver os problemas de drenagem no DF, finalizou Carolinne, serão necessários pesados investimentos em gestão de drenagem, além da expansão da atual rede.
Para o regulador Igor Medeiros, da Superintendência de Abastecimento de Agua e Esgoto (SAE), o esgotamento sanitário no DF vive um período de normalidade, atingindo quase que a totalidade da população das residências que têm ligação de água potável.
Mostrou as características do sistema, que é composto por 16 estações de tratamento, mais de 5 mil quilômetros de rede coletora –representando mais de 600 mil economias (unidade de usuários), são responsáveis pelo sistema de tratamento do esgotamento sanitário do DF.
Caracterizou ainda as Estações de Tratamento Sul (ETE-SUL) e a Norte (ETE-Norte), que têm como corpo receptor de seus efluentes o Lago Paranoá, que brevemente será utilizado como área de captação de água para distribuição a várias comunidades de Brasília, fortalecendo o sistema de abastecimento.
O Superintendente de Resíduos Sólidos, Marcos Montenegro, salientou que atual estrutura responsável pelo manejo dos resíduos sólidos no DF encontra-se sucateado. Disse que a fração orgânica do lixo na região é muito alta, o que favorece à compostagem, em detrimento das incineração.
Além disso, ressaltou Montenegro, dispomos de áreas para a construção de aterros sanitários, com tratamentos regionalizados dos resíduos. Defendeu, ainda, a busca de alternativas para a melhoria da conscientização da sociedade para a reciclagem, a não incineração e a disposição final dos resíduos em aterros sanitários.