
A Polícia Civil prendeu o terceiro suspeito de envolvimento na morte de Isaque Nilton Alves Boschini, 28 anos. A vítima foi espancada no último dia 10, quando chegava em casa, na QE 40 do Guará. Alisson da Silva Vieira de Sousa, 23 anos, estava em casa dormindo quando agentes da 4ª DP (Guará) chegaram ao local e fizeram a prisão.
De acordo com a polícia, após o crime, Alisson havia fugido para Alexânia (GO), e depois ido para Anápolis (GO). Seguro de que nada aconteceria, ele retornou para a casa da mãe, na própria QE 40, onde foi encontrado. Segundo as investigações, na noite do crime, o suspeito estava com o carro que transportou os outros dois acusados: Jean Carlos Lopes Nascimento, 19 anos, e Moisés Maciel, 41. O carro pertencia à mãe de Alisson e foi abandonado próximo ao Guará Park.
Segundo o delegado da 4ª DP, Jeferson Lisboa, Alisson teria participado das agressões, e após o espancamento ajudado os demais autores a levar Isaque até a linha do trem. “Ele confirma que estava no local, mas nega ter participado das agressões. Mas tanto testemunhas quanto evidências apontam para a participação efetiva dele no crime”, detalha o delegado.
Alisson negou conhecer Jean e Moisés. Ele afirmou que estava próximo ao local e que os dois acusados teriam pedido carona a ele.
Após o abandono do carro, Alisson voltou para casa, onde dormiu por algumas horas e depois fugiu para Alexânia. Os dois comparsas foram presos minutos depois. “Começamos a investigá-lo horas depois do crime ao descobrirmos que a mãe dele era a dona do carro. Na manhã seguinte, ficamos sabendo da fuga e então iniciamos o trabalho de investigação para localizá-lo”, declara o delegado Jeferson Lisboa.
Alisson já responde por roubo e pela Lei Maria da Penha (violência doméstica). Menor, foi acusado de três roubos, ameaça e apropriação indevida – quando o acusado diz ser dono de algo que não lhe pertence.
Zona de risco
Apesar da proximidade entre vítima e assassino, Alisson e Isaque não se conheciam. A região onde ambos moravam é considerada a área mais “problemática” do Guará, segundo o delegado Jeferson Lisboa. Usuários e traficantes se aglomeram sobre os trilhos de trens que passam por ali. Entre as ocorrências comuns, os policiais da área constantemente se deparam com ocorrências de furtos de carros, sons automotivos e rodas.
A QE 40 sofre com a violência constante. À noite, placas de zinco, de uma cooperativa de catadores de lixo, formam um esconderijo para os usuários, que se espalham por ali como em uma cracolândia.
Depois do consumo, a necessidade de mais drogas e a falta de dinheiro para aquisição do produto fazem com que os usuários roubem o comércio para manter o vício. “Um rapaz entrou aqui com uma mochila e começou a colocar produtos dentro dela. Quando pedimos para ele abrir a bolsa, ele puxou uma faca”, relata a caixa de um mercado da região, Serfizia Soares dos Santos, 34 anos.
Sanaval Cardoso Filho, 55 anos, lamenta a situação na região. “Essa área está abandonada. Eles ficam ali na linha de trem usando droga o dia todo”, diz o mecânico que completa: “Esse já era um crime anunciado”. Sanaval já teve a oficina arrombada por duas vezes.
O oficineiro Antônio Cardoso, 46 anos, diz que qualquer descuido pode ser ocasião para roubos e furtos. “Os vagabundos não têm jeito. A polícia prende um aparecem outros tantos”, desabafa.